Calixto Luedy Filho, um dos acusados pela Chacina de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha, foi condenado a 195 anos e nove meses de prisão em julgamento realizado na noite dessa segunda-feira (13), no Fórum Lafayette, no Barro Preto, na região Oeste da capital. Além dele, faltam outros nove réus a serem julgados.   

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Calixto foi condenado pelo homicídio de cinco pessoas, tentativa de homicídio de outras 12 e por atear fogo em casas e escola em novembro de 2004. O acusado negou qualquer participação nos crimes. Ele cumprirá pena em regime fechado. 

Mais de 13 horas

O julgamento foi transferido para Belo Horizonte para a garantia de imparcialidade e segurança dos envolvidos, informou o TJ. A sessão, presidida pelo juiz Alexandre Cardoso Bandeira no 2º Tribunal do Júri da capital, começou às 9h10 da manhã e só foi encerrada às 22h25. 

TJMG

Segundo TJ, mais de 150 pessoas acompanharam o julgamento

Em mais de 13 horas de julgamento, Calixto Luedy Filho contou que estava em Aracaju, no Sergipe, na data da chacina e que, portanto, não tinha envolvimento nos crimes. Além disso, afirmou que não era proprietário da fazenda onde ocorreram os crimes; negou que tenha ido ao acampamento ameaçar os ocupantes da fazenda e rechaçou ainda a acusação de que tinha comprado armas e selecionado os demais pistoleiros que participaram da ação.

Histórico

No julgamento, o Ministério Público ressaltou que um dos condenados pela chacina, Adriano Chafik, entrou na época com ação de reintegração de posse contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que haviam invadido a fazenda. Chafik perdeu a ação e as terras foram demarcadas em favor dos assentados.

Dessa forma, inconformado com a derrota jurídica, Chafik reuniu 14 homens, que começaram a ameaçar os assentados, até que, em novembro de 2004, ordenou e liderou o ataque ao acampamento. Ainda segundo o MP, o próprio Adriano Chafik teria conduzido parte do grupo para o local, com a participação também de Calixto Luedy. 

A defesa do réu argumentou que Luedy não foi reconhecido por vários integrantes do MST, ouvidos na fase de inquérito. Para a defesa, ele estava resolvendo o problema do primo, Adriano, com a invasão de sua fazenda e, por isso, alguns trabalhadores rurais tinham interesse em incriminá-lo na chacina.

Condenações

Ele é o quinto réu a ser condenado pela chacina. Antes dele, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy e Washington Agostinho da Silva foram sentenciados, em outubro de 2013, a 115 e a 97 anos de prisão, em regime fechado, respectivamente. 

Em janeiro de 2014, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira e Milton Francisco de Souza também foram condenados, ambos, a 102 anos e seis meses de reclusão, em regime inicialmente fechado.

Com o julgamento de Calixto, ainda faltam outros nove réus a serem julgados. A denúncia do Ministério Público cita 15 acusados, sendo que os julgamentos já realizados foram desmembrados do processo principal. Admilson Rodrigues Lima, um dos réus, faleceu durante a apuração do crime.

(Com Tribunal de Justiça de Minas Gerais)

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