Belo Horizonte já registrou quatro surtos de intoxicação alimentar desde o início do ano, com 166 pessoas hospitalizadas. E o forte calor registrado nos últimos dias acendeu o sinal de alerta, sobretudo, para quem precisa comer fora de casa. Alimentos consumidos em lanchonetes e restaurantes podem representar riscos para a saúde se não forem devidamente preparados e acondicionados, alertou a presidente do Sindicato de Nutricionistas de MG, Lucília do Amaral.

Os sintomas da intoxicação alimentar – vômito, diarreia, náuseas, febre, dor abdominal e coceira na pele – podem demorar até 72 horas para aparecer. São facilmente confundidos com virose. Uma vez instalado o quadro e dependendo do que provocou a intoxicação, o mal-estar pode durar de três a quatro dias.

Na terça-feira (30), a Vigilância Sanitária começou a investigar a suspeita de intoxicação envolvendo pelo menos 20 clientes do Restaurante Ni Hao, no bairro Santo Antônio. Desde a semana passada, alguns clientes vêm usando as redes sociais para relatar efeitos colaterais após se alimentarem no local.

“A intoxicação alimentar é causada, geralmente, por alimentos ou bebidas contaminados com bactérias ou toxinas. No calor, essa situação se agrava por causa da temperatura. Normalmente, o problema acontece porque os alimentos ficam muito tempo expostos, são mal lavados e conservados”, explicou a nutricionista.

Como é difícil notar alterações nos alimentos preparados, Lucília do Amaral recomenda que sejam observadas as instalações dos estabelecimentos e, se possível, até mesmo visitar a cozinha para verificar como a comida é preparada e conservada. Para quem opta pelo self-service, a dica é observar se os alimentos são trocados com frequência. “É recomendável evitar alimentos crus, como o peixe, e carnes mal passadas. A dieta deve ser mais leve, rica em legumes, frutas, saladas e frutas oleaginosas, como castanhas”, disse.
 
Vigilância age, mas falta capacitação aos manipuladores de alimentos

De janeiro a setembro deste ano, 95 estabelecimentos que comercializam alimentos prontos em Belo Horizonte foram interditados pela Vigilância Sanitária. Outros 180 foram multados por estarem em desacordo com as normas de higiene, e ainda 1.323 foram advertidos para adequar suas instalações.

“Os problemas mais frequentes referem-se ao armazenamento, acondicionamento de alimentos já manipulados, temperatura inadequada e falta de capacitação de manipuladores”, afirmou Daniel Nunes, gerente de vigilância sanitária da região Central de BH. “Em restaurantes, a falta de controle de quanto tempo um alimento fica exposto é grave”, observou.

Intoxicação

Clientes do restaurante Ni Hao, no bairro Santo Antônio, se mobilizaram para acionar a Justiça devido ao surto de intoxicação da última semana.

Pedro Vega, de 27 anos, professor de inglês, é quem organiza o processo. “Vamos juntar o máximo de pessoas afetadas. Eu acabei demitido por me ausentar dois dias do trabalho por causa da intoxicação. O pior sintoma foi a diarreia aguda constante”, disse.

Bárbara Sanches, de 32 anos, gerente de projetos, também passou mal ao ingerir comida japonesa no restaurante. “Até hoje estou mal. Tive febre muito alta, diarreia e dor de cabeça. Tive que ficar no hospital no soro”. Além dela, duas pessoas de seu local de trabalho tiveram o mesmo problema.

Uma das proprietárias do Ni Hao afirmou que esse foi o primeiro caso de intoxicação alimentar da casa. “Temos um controle de limpeza muito grande. Tomamos muito cuidado na manipulação dos alimentos. Não foi falta de higiene, mas ainda não sabemos o que houve. A gente sempre faz de tudo para o bem estar do cliente”, disse Kiu Chan.

 PONTO A PONTO

- Peixes devem ser refrigerados a 4 graus por, no máximo, 24 horas

- Legumes e frutas devem ser lavados em água corrente e mergulhados em uma solução composta por uma colher de água sanitária para cada litro de água.

- Alimentos cozidos só podem ser mantidos sob refrigeração por 72 horas

- Conservas devem ser retiradas da embalagem original e armazenadas em outro recipiente (além de evitadas em restaurantes)