Após fingir que era proprietária de um imóvel localizado no Parque da Cachoeira, uma das áreas mais atingidas pelo rompimento da barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma candidata a deputada distrital do Distrito Federal recebeu R$ 65 mil em doações da mineradora Vale. A mulher, de 57 anos, que foi candidatada na eleição de 2014 pelo MDB, foi presa pela Polícia Civil (PC) por estelionato em março deste ano, mas a prisão só foi revelada nesta semana. 

Conforme a corporação, a mulher, que é natural de Anápolis (GO) e vivia no Distrito Federal, alegou para a empresa responsável pela tragédia que tirava seu sustento com atividades agropecuárias no imóvel que possuía. Ela, inclusive, chegou a convencer moradores da região a declarerem que a conheciam e que ela realmente era dona de um terreno na região.

Após investigações apontarem para o crime, ela acabou presa por estelionato no dia 18 de março, após determinação na Justiça. Além dela, outros três moradores que teriam confirmado a informação dada pela suspeita também teriam sido indiciados no caso por falsidade ideológica. 

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em despacho proferido no último dia 1º de abril, o juiz da comarca de Brumadinho, Rodrigo Heleno Chaves, determinou que a suspeita só consiga a liberdade provisória caso o valor recebido por ela das doações feitas pela mineradora seja devolvido ou ela comprove o endereço do suposto imóvel que ela diz ter, o que não teria acontecido até esta terça-feira (9). 

Ainda segundo a Justiça, o inquérito da PC já virou ação penal e já está tramitando o prazo para apresentação do comprovante do depósito de devolução do dinheiro ou dos documentos do imóvel. 

Suspeita continua presa

Procurada pelo Hoje em Dia, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que a mulher deu entrada no Presídio Feminino José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, no dia 19 de março, e continuava detida até esta terça. Já a Vale informou apenas que "vai aguardar o resultado das investigações da Polícia Civil para se manifestar sobre o caso".

A reportagem conversou ainda com o advogado Marco Antonio Gil Rosa de Andrade, que representa a suspeita. "Isso tudo está tão prematuro e a mídia está caindo em cima da minha cliente, se valendo somente da versão dada pela autoridade policial. Diante disso, eu só vou falar nos autos, vamos provar a inocência dela nos autos judiciais", garantiu. 

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