O pré-candidato a vereador na cidade de Patrocínio, no Alto Paranaíba, Cássio Remis (PSDB), foi morto com cinco tiros na tarde desta quinta-feira (24) após ser atacado durante uma live. De acordo com a polícia, o suspeito do crime é o irmão do prefeito da cidade e atual secretário de Obras.

Antes de morrer, a vítima estava na avenida João Alves do Nascimento mostrando o processo de revitalização da via, quando alegou na transmissão ao vivo que funcionários da prefeitura eram usados para fazer serviços particulares em frente a uma residência que seria o comitê de campanha do atual prefeito. Nesse momento, o suspeito chega em um veículo, desce, parte para cima da vítima para impedir a live, toma o celular dele e volta ao carro.

Em seguida, conforme a polícia, o suspeito foi para o prédio da Secretaria de Obras da cidade e foi seguido por Remis. Em frente ao local, o candidato foi baleado quando tentou pegar o telefone de volta. Segundo a PM, o suspeito fugiu em uma Toyota Hilux prata. 

A Polícia Civil informou que está investigando o crime e que vai pedir a prisão preventiva do suspeito.

Cássio Remis foi eleito vereador em 2008, e presidente da Câmara em 2013/2014. O político exerceu dois mandatos consecutivos 2009/2012 e 2013/2016.

Durante a tarde, o prefeito de Patrocínio, Deiró Moreira Marra, falou com a imprensa e afirmou que ele não teve relação com a discussão entre Cássio e o irmão. "Quero inicialmente dizer que nós estamos, de forma muito consternada, com tudo que aconteceu, com dor e com muito pesar que a gente recebe isso. Lamentamos tudo que aconteceu e essa sequência de fatos absolutamente injustificáveis, que culminaram na morte do vereador Cássio Remis por disparo de arma de fogo, infelizmente pelas mãos do meu irmão, Jorge Marra. Esperamos que todos os fatos sejam elucidados e apurados de forma transparente pelas polícias, com a mais absoluta isenção de tudo isso. É um fato que choca todos nós", esclarece.

O prefeito ainda afirma que jamais usou de violência para resolver divergências políticas e que não sabe o que motivou o crime. "Digo aqui que todas minhas diferenças de campo político sempre foram resolvidas através do debate, jamais tive qualquer atitude fora desse campo. Infelizmente, não conheço e não sei de nenhum fato e de nenhuma ação que culminou nessa tragédia, mas posso aqui externar minhas condolências à família do vereador Cássio Remis. Em consideração ao posto que ele ocupou e sua trajetória estamos decretando luto oficial por três dias", disse aos jornalistas.

Em nota, o presidente do PSDB em Minas, deputado federal Paulo Abi-Ackel, repudiou a violência política e manifestou pesar pelo assassinato de Cássio Remis.

"O PSDB de Minas Gerais manifesta seu mais profundo repúdio à extrema violência que se abateu sobre o presidente municipal do PSDB de Patrocínio, Cássio Remis dos Santos, de 37 anos. Nenhuma divergência política justifica a substituição do debate e das diferenças por meios violentos, ainda mais em se tratando de vidas humanas. 

Além disso, o partido manifesta também seu mais profundo pesar pela morte de Cássio, liderança política jovem, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal do município. Dirigimos nossos pensamentos ao conforto de familiares e amigos. 

Em nome de todos os militantes do estado, reiteramos a necessidade de que os fatos sejam rigorosamente apurados e que a lei seja aplicada de forma exemplar".