Belo Horizonte conta com apenas um espaço público para abrigar, provisoriamente, cães e gatos recolhidos pelas ruas da cidade. Porém, o canil municipal não oferece condições adequadas para receber os animais.

O local mistura, sem controle, cachorros doentes e sadios. Por consequência, há um elevado nível de contaminação por leishmaniose, e o abate ocorre de maneira indiscriminada.

Segundo denúncia de um servidor público que pediu anonimato, no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura de Belo Horizonte, no bairro São Bernardo, região Norte de BH, faltam profissionais qualificados para cuidar das diferentes espécies ali recolhidas. “É uma verdadeira carnificina”, denuncia.

Fila do abate

Na avaliação de uma das fundadoras da ONG Cão Viver, Denise Menin, a situação do CCZ é, no mínimo, questionável. Ela não duvida de que no local haja maus-tratos e o sacrifício de animais em boas condições de saúde. “O exame que comprova a leishmaniose tem que ser feito pelo menos duas vezes e, de preferência, em laboratórios diferentes. Mas tenho informações de que essas medidas não são adotadas. Sem a contraprova, cães que não têm a doença diagnosticada são eutanasiados”.

A situação já foi pior, enfatiza Denise Menin. Segundo ela, em BH havia uma câmara de gás para matar animais que não eram retirados do canil municipal em um prazo de dois dias, independentemente das condições de saúde. “Há sete anos, por meio de ações movidas por ativistas, a máquina de matar foi destruída”, relembra a diretora da "Cão Viver", que, desde 2003, atua na proteção animal.

“Rinha” de cães

Técnico em veterinária e funcionário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Franklin Soares Oliveira é protagonista de uma história que demonstra a falta de preparo do CCZ.

Em agosto, por força de uma ordem judicial, ele teve 50 cães recolhidos.

Todos foram encaminhados ao CCZ. Dias depois, quatro deles morreram em circunstâncias anormais, sendo dois em uma briga e os demais sacrificados por suspeita de leishmaniose, hipótese descartada posteriormente. “Faltam profissionais especializados para o trabalho nos plantões noturnos e dos fins de semana para o monitoramento dos animais, medida que evitaria mortes por brigas”, diz o funcionário público, que dirige a ONG Núcleo Fauna de Defesa Animal. A entidade defende, há 30 anos, animais desamparados ou vítimas de maus-tratos.

Saiba mais sobre esta triste situação provocada pelo abandono de animais na Edição Digital