“Meu aluguel vence amanhã, e eu não tenho dinheiro para pagar”. Essa é a situação de um pesquisador mineiro que não recebeu a bolsa-auxílio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação (MEC). O prazo para o repasse venceu na última quinta-feira, mas até a última sexta-feira (9) ele não tinha sido efetuado.

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Discursivos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o pesquisador, que prefere não ser identificado, conta que a situação se repete em vários Estados e vem se arrastando desde novembro do ano passado.

“Quando assinamos o acordo, uma das cláusulas – talvez a principal delas – determina que não tenhamos vínculo empregatício. Nossa única fonte de renda é a bolsa”, afirma, destacando a gravidade do problema.

Para Aniele Sousa, de 26 anos, aluna do mestrado em Educação Tecnológica do Cefet-MG, a apreensão é ainda maior. Ela e o marido são bolsistas da Capes e também não receberam o auxílio, normalmente depositado até o quinto dia útil de cada mês.

“Criamos um grupo no Facebook para reunir bolsistas. No início, ele contava com 400 membros e hoje já soma mais de mil. Tem pessoas de todas as partes enfrentando o mesmo problema que a gente”, diz.

Segundo Aniele, os alunos acionaram o MEC, que informou apenas que a situação está sendo normalizada e em breve será resolvida. “O pior é que não nos dão nem uma previsão. Se pelo menos falassem quando o dinheiro vai entrar, conseguiríamos nos planejar melhor”, lamenta.

Por meio de nota, a Capes limitou-se a dizer que “o pagamento das bolsas de estudo relativo ao mês de dezembro foi realizado hoje (na última sexta-feira (9)) e que os valores serão creditados nas contas dos bolsistas dentro dos prazos de compensação bancária”.

Pronatec

Além dos pesquisadores dos cursos de mestrado e doutorado, bolsistas de programas de tutorias da educação à distância e do Pronatec também queixam-se de atrasos no pagamento do auxílio do governo federal, feito também pela Capes.

Elenice Rosa Costa, de 37 anos, é tutora pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e recebeu somente neste mês o depósito referente a novembro de 2014. Ela não tem nem ideia de quando vai receber a parcela de dezembro, que deveria ter sido paga na última sexta-feira (9).

“Também trabalhei no Pronatec. O curso terminou em outubro, recebi apenas uma parcela. Ou seja, trabalhei 135 horas, mas recebi 40. O problema não é só da Capes, é do MEC, em geral”, observa Elenice.

Renata Moreira, de 31 anos, também atuou como tutora em um programa de educação à distância até o mês passado e engrossa a lista de bolsistas que ficaram sem receber o auxílio.

“Não estou na mesma situação de outros colegas, porque posso ter outras fontes de renda, mas esse dinheiro estava no meu orçamento, e eu contava com ele”.