A preocupação com o abastecimento da população volta à tona na Grande BH. Parte do rio das Velhas está em situação de escassez hídrica, obrigando restrições na captação de água em 43 municípios, sendo 14 na região metropolitana. As demais cidades são do Norte e do Centro de Minas. Autoridades não falam em racionamento, mas especialistas temem a adoção dessa medida emergencial, caso a situação se prolongue.

Uma portaria foi publicada nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). A retirada do recurso hídrico no Velhas deverá ser reduzida em 22% para o abastecimento público, consumo humano e de animais. Também será necessário diminuir a coleta em 38% para indústrias e mineradoras e em 35% para irrigação.

O temor de que falte água na capital e cidades vizinhas, onde mais de 40% dos moradores são atendidos pelo manancial, ganha mais força devido às recorrentes temperaturas acima dos 30°C. Além da elevação do consumo nos dias de calor intenso e da ausência de chuvas, o curso d’água ficou sobrecarregado com a interrupção na captação do rio Paraopeba, atingindo por rejeitos de minério após a tragédia em Brumadinho. 

Belo Horizonte registrou nesta quarta-feira o dia mais seco de 2019. A umidade relativa do ar chegou a 12%. O índice recomendado é acima de 60%. A previsão é de mais secura pela frente

A um passo

O Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio das Velhas convocou para esta quinta-feira (19) uma reunião. O presidente da entidade, Marcus Vinícius Polignano, reforça que BH está em estado de alerta. “Não é ainda um estágio em que deve haver desabastecimento, mas talvez estejamos a um passo dessa situação”.

Segundo ele, é preciso economizar. “Precisamos, inclusive, pedir apoio da população para um consumo mais consciente. É um período de escassez que nos preocupa bastante. Há muito tempo já falamos dessa insegurança porque o Paraopeba está descartado e o Velhas, muito demandado”.

Ambientalista e ex-conselheira do CBH, Maria Tereza Corujo endossa o discurso. “A Grande BH está à beira de um colapso. Não vai ter caminhão-pipa para abastecer 3 milhões de pessoas. É uma situação gravíssima”, alerta.

Medida adotada pelo Igam atinge cidades como Belo Horizonte, Nova Lima, Santa Luzia, Sabará, , Lagoa Santa, Matozinhos, Pedro Leopoldo Rio Acima e São José da Lapa

Resposanbilidade

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que o abastecimento na cidade é responsabilidade da Copasa. “Convém ressaltar que há um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado entre a mineradora Vale e o Ministério Público, que determina que a Vale deve fazer intervenções por conta de danos ambientais causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho”, diz nota enviada. 

Conforme a PBH, uma dessas intervenções é a implantação de uma adutora acima do Córrego do Feijão, onde a água do Rio Paraopeba não foi contaminada, em um trajeto de 12 quilômetros até a estação de tratamento, minimizando o risco de desabastecimento. 

Em nota, a Vale informou que, desde o fim de março deste ano, o Igam não detecta níveis de mercúrio e chumbo acima dos limites legais. A presença desses metais pesados foi o que levou a autarquia estadual a proibir a captação direta da água do rio. A proibição ainda se mantém como medida preventiva.

Além disso, a mineradora afirma que assinou, em março, em Pará de Minas, um Termo de Compromisso pelo qual assume a responsabilidade pela realização de obras que garantam a captação e abastecimento de “exatamente a mesma quantidade que o município captava no rio Paraopeba antes do rompimento da barragem”. O prazo de conclusão é para julho de 2020.

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