Quase uma semana após a prefeitura ter anunciado que iria começar a retirar as capivaras que vivem soltas na orla da Lagoa da Pampulha, nenhum animal foi capturado ainda. O trabalho feito pela Fundação Zoo-Botânica, que tenta atrair os animais para uma área isolada do Parque Ecológico por meio da oferta de alimentos, não tem surtido muito efeito. Os roedores não encontram dificuldades para chegar aos pedaços de cana-de-açúcar espalhados pelo chão, mas também voltam facilmente para a orla da lagoa, já que não há nenhuma armadilha ou obstáculo que as impeça de sair da área.

Durante uma volta nas imediações do parque, é possível encontrar vários animais circulando livremente. A captura que será feita por funcionários da fundação é uma solução provisória, já que a prefeitura vai contratar uma empresa especializada para localizar as capivaras e transportá-las para o local adequado.

Esse espaço já está em construção e fica bem perto do Parque Ecológico, para onde os animais capturados serão levados provisoriamente. Na área conhecida como Enseada do Água Funda, já está sendo realizada a limpeza e terraplenagem de onde serão construídas oito baias para as capivaras. Um pequeno lago consta no projeto, já em execução.

Capivaras na Lagoa da Pampulha
SEM BARREIRAS – Pedaços de cana-de-açúcar foram deixados para atrair capivaras, mas o espaço é aberto

De acordo com informações da prefeitura, a parte inicial do trabalho prossegue até a próxima segunda-feira. Toda a obra, entretanto, só deve ser finalizada em 60 dias, ou seja, no fim do mês de janeiro do ano que vem.

O Executivo municipal foi obrigado a tomar as providências para a captura das capivaras na Pampulha após decisão judicial.

Embora o prazo para que os animais fossem retirados tenha terminado na semana passada, a prefeitura entende que está cumprindo o que foi previsto e afirma que já encaminhou à Justiça esclarecimentos sobre as ações desenvolvidas nesse sentido.

Casos

A capivara é um dos hospedeiros do carrapato transmissor da febre maculosa. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), em 2016, foram confirmados 13 casos da doença em Minas Gerais, sendo que quatro pessoas morreram. 

De acordo com a Secretaria de Saúde da capital, atualmente, estão em investigação 13 casos suspeitos de febre maculosa em residentes de Belo Horizonte.

Até o momento, dois casos foram confirmados, e um deles resultou na morte de um menino de 10 anos, em setembro. O garoto Thales Martins Cruz teria sido picado por um carrapato durante atividades de um grupo de escoteiros do qual participava no Parque Ecológico.