Recorde de público, respeito às mulheres, celebração da diversidade e acolhimento a um sem número de visitantes. O Carnaval de Belo Horizonte foi grandioso e chegou a fim provando por que já faz parte do calendário das grandes folias Brasil afora. A festa, porém, foi manchada por casos de violência.

Na Praça da Estação, na noite de terça-feira (5), uma mulher foi encontrada desacordada, chegou a ser socorrida, mas não resistiu.  A vítima tinha arranhões no pescoço, mas os exames iniciais não constataram estrangulamento. A causa da morte será conhecida após o resultado da perícia.. Uma das suspeitas é de que ela tenha tido um coma alcoólico ou que tenha sofrido um mal súbito. Já madrugada desta quarta-feira (6), um homem morreu após ser roubado na avenida Afonso Pena, no Centro da capital. As primeiras informações dão conta de que, na confusão, ele caiu e bateu da cabeça. Os suspeitos fugiram levando a carteira e o celular da vítima.

No dia anterior, dois turistas franceses foram esfaqueados na avenida dos Andradas, também no Centro de BH. Eles receberam golpes nas costas e tórax durante uma tentativa de assalto. A Savassi também registrou cenas de violência. Três pessoas foram baleadas na noite de domingo (4) em três ocorrências diferentes. De todos os casos, nenhum suspeito foi localizado e preso.

Apesar das ocorrências de violência que marcaram as noites e do já esperado transtorno com a falta de banheiros, 4,6 milhões de foliões marcaram presença nas ruas em uma festa que tomou conta e contagiou a cidade. Um marco que, há cinco anos, seria impensável para a metrópole. Teve morador, gente do interior, turistas brasileiros e até estrangeiros. 

Em praticamente todas as regiões da cidade era possível encontrar quem se divertia em blocos de pequeno ou grande porte. Tudo isso embalado por uma pluralidade de ritmos, estilos e bandeiras que tornaram BH mais pulsante. 

“Aqui não tem aquela coisa de correr atrás de um famoso em cima de trio elétrico. São as pessoas que fazem a festa acontecer” (Miriam Moraes, psicóloga)

A estudante Marina Braga Mota, que completou a maioridade no último dia de festa, conta que o Carnaval foi o maior presente de aniversário que poderia receber. Ontem, ela iniciou a jornada logo pela manhã, no bloco Juventude Bronzeada, na avenida Assis Chateaubriand, no bairro Floresta, sem previsão para descansar. 

“Tinha medo de ser assediada, mas não me senti ameaçada em nenhum momento por ninguém”, comemorou a jovem. “Só tenho a agradecer mesmo”, acrescentou Marina. 

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Thalita levou o filho Theo para curtir o desfile do Juventude Bronzeada

Originalidade

Baiana de Salvador, a psicóloga Miriam Moraes, de 25 anos, veio conhecer a folia belo-horizontina. Para ela, o Carnaval daqui se difere dos demais do país pela originalidade. A jovem conta que durante o reinado de Momo se impressionou com a capacidade dos bloquinhos de arrastar multidões pelas vias.

“Aqui não tem aquela coisa de correr atrás de um famoso, que fica em cima de um trio elétrico. São as próprias pessoas da cidade que fazem a festa acontecer. Além disso, você nunca se perde porque sai de um bloco e logo já cai em outro”, elogia Miriam.

“Queremos melhorar mais essa distribuição (dos banheiros químicos) para o próximo ano” (Gilberto Castro, presidente da Belotur)

Banheiros químicos

Presidente interino da Belotur, Gilberto Castro afirma os principais pontos do planejamento traçado foram cumpridos. Apesar do balanço positivo feito pela maioria da população, ele reconhece que melhorias são necessárias para os próximos anos. 

Dentre as reclamações, as longas filas para os banheiros químicos e o desrespeito dos que urinam nas ruas, deixando sujeira e mau cheiro em muitos locais. “Esse é sempre um desafio porque são 1.200 quilômetros somando os trajetos dos blocos por toda a cidade. Vejo que falta um pouco de conscientização, mas queremos melhorar mais essa distribuição para 2020”, diz Castro. 

carnaval bloco rua bh
Foliões elogiam a diversidade de ritmos, estilos e bandeiras dos blocos 

Reconhecimento

Para a estudante Thalita Oliveira, de 19 anos, que ontem levou o filho Theo, de 1, para curtir a folia, a capital está de parabéns. Feliz por poder se divertir com a criança em meio à multidão, ela conta que o menino tem adorado o evento.

“Com exceção da falta de higiene de alguns que urinam no chão, não mudaria nada nesse Carnaval. Aliás, se melhorar estraga”, brinca Talita.

Curtimos

Suingue
Entrosamento entre a bateria do Juventude Bronzeada e a banda que tocava em cima do trio elétrico foi um destaque.

Empolgação
Alegria dos integrantes do mesmo bloco, sorridentes e com belos adereços, contagiou o público.

Sintonia
Foliões do Baianeiros dançaram conforme a música durante a passagem do trio elétrico. Músicos e público festejaram o Carnaval em plena sintonia. 

Encanto
O jazz do grupo Magnólia encantou quem estava na avenida Américo Vespúcio. Até quem desconhecia as coreografias do estilo se arriscou com alguns passos.

Não curtimos

Violência
Casos de violência foram registrados na Savassi, Praça da Estação e Praça 7, com facadas, tiros, roubos e mortes.

Sujeira
Avenida Assis Chateaubriand estava repleta de lixo em todos os momentos do trajeto do Juventude Bronzeada.

Banheiros 
Sanitários químicos estavam quase todos concentrados só no local da saída do bloco. Durante o desfile era difícil encontrar algum.

Muito cheio
O grande público do Baianeiros trouxe transtornos ao cortejo na Savassi. Por vários momentos, os voluntários que ficavam no cordão de isolamento tiveram dificuldades para conter a multidão.

Falta de respeito
Faltaram banheiros químicos na avenida Américo Vespúcio durante a passagem do Magnólia. Muitos foliões urinaram na via. 

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