A pouco mais de um mês para o Carnaval, o uso de fita isolante para garantir uma marquinha "perfeita", após o bronzeamento exagerado, não para de crescer. De olho na folia, cada vez mais pessoas exibem sem qualquer constrangimento a “cor do verão” nas redes sociais.
   
Desde dezembro, a procura em locais que fazem o procedimento cresceu. “Agora então, com o Carnaval, os clientes aumentaram mais ainda. Faço uma média de 20 (bronzeamentos) por fim de semana. No resto do ano não passa de cinco”, contou uma mulher, dona de um espaço do tipo em Contagem, na Grande BH.

Médicos reforçam, porém, que não vale tudo pela marquinha do biquini e que insistir nela pode causar queimaduras e até doenças graves. A principal preocupação é com o câncer de pele. Só no biênio 2018-2019, quase 20 mil mineiros serão acometidos pela enfermidade, a mais comum em ambos os sexos. Na capital, serão 2.570 casos. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde.

Conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a exposição ao sol é benéfica, mas métodos inseguros têm surgido, trazendo preocupação. “O sol é a nossa fonte de vitamina D. Precisamos diariamente de 20 minutos, numa caminhada à padaria, por exemplo, para suprir essa necessidade. Mas o que as pessoas têm feito para se bronzear é pura irresponsabilidade”, alertou Pedro Dantas, coordenador do Departamento de Oncologia da entidade.

Para o especialista, o maior problema é que muitos não percebem a gravidade das atitudes. “Usam produtos sem certificação para o bronzeamento e têm queimaduras até de segundo grau. Até a cola da fita isolante pode queimar o corpo. Só que o câncer de pele não dá sinais imediatos. Ele pode aparecer bem depois. É preciso cuidado, câncer mata”. Segundo ele, a SBD emite alertas desde 2017 sobre o tema, mas intensificará as ações até a folia.

Dentre os produtos inadequados usados para bronzeamento estão o óleo de soja e até o pó de café

Dicas
Ex-presidente da regional mineira da SBD, Marcelo Grossi dá dicas para quem quer deixar o corpo atraente, sem correr riscos. “Primeiro, verificar se o produto usado em casa ou em um estúdio tem licença da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no rótulo. Depois, evite o sol entre 10h e 16h e use óculos com proteção aos raios ultravioletas. Saúde não se paga com beleza”, comentou o especialista.