Dezenas de carroceiros realizaram protesto por ruas e avenidas de Belo Horizonte, no início da tarde desta sexta-feira (14), para mostrar repúdio ao Projeto de Lei (PL) que proíbe o uso de tração animal na cidade. Os trabalhadores acreditam que, se sancionada, a lei decretará o fim da categoria.

Por isso, eles se reuniram nas imediações da rodoviária e seguiram em passeata até a Câmara Municipal, onde foram impedidos pela Polícia Militar de prosseguir. Após negociações entre vereadores e a PM, o grupo conseguiu ter acesso à Casa. 

Na entrada da CMBH, os manifestantes foram recebidos pelo vereador Gilson Reis (PCdoB) que conversou com o grupo. Segundo a assessoria do vereador, os carroceiros solicitaram a realização de uma audiência pública antes da votação do projeto em segundo turno, prevista para agosto. 

Na próxima terça-feira (18), o requerimento para a audiência vai ser votado na Comissão de Administração Pública. E os representantes dos carroceiros informaram à reportagem do Hoje em Dia que vão acompanhar a votação. 

Eles saíram da Câmara otimistas e confiantes que alguns vereadores vão trocar o voto e votar a favor dos carroceiros no segundo turno. 

De acordo com a BHTrans, durante a tarde, o ato complicou o tráfego na região Central. 

Motorização

A PL 142, de autoria do vereador Osvaldo Lopes (PHS), prevê a substituição gradativa de carroças por veículos motorizados no prazo máximo de cinco anos. Só seria permitido o uso de animais em locais privados, área rural ou em rotas e baias que sejam autorizadas pelo Executivo.

O parlamentar garante que o projeto não irá desamparar os carroceiros, uma vez que eles irão receber consultorias para readequação no mercado de trabalho. Atualmente, 2.357 carroceiros estão credenciados pela BHTrans para transitar por BH. O número de profissionais que rodam na capital, porém, pode chegar a 6 mil.

Prejuízo

Na visão do carroceiro Adenildo Santos, a lei irá minimizar o trabalho da categoria. "Como uma classe tão sofrida vai adquirir um triciclo que varia entre R$ 12 e R$ 50 mil?", questiona. Eles lembram também que a população será afetada com os altos custos de fretes. "Vai ter aumento de carreto, já que vai aumentar os custos da operação".

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