Uma cartilha ilustrada e com histórias de teor sexual vem gerando polêmica em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, desde o início da semana. O material, usado em sala de aula por uma professora da rede municipal de ensino, foi distribuído a estudantes da educação infantil. No conteúdo, crianças em idade escolar aprendem sobre as diferenças entre o corpo feminino e masculino, as alterações que chegam com a adolescência e até sobre como acontecem as relações sexuais.

O assunto foi parar na Câmara Municipal após denúncia feita pelo pai de uma menina de 5 anos, que levou a cartilha para casa, e resultou em um requerimento formal exigindo que os livros fossem imediatamente recolhidos das escolas.

“O conteúdo é realmente de cunho sexual, completamente inadequado para crianças dessa idade. Pedimos, portanto, a suspensão imediata da cartilha de todas as escolas da rede municipal”, detalhou a vereadora Michele Bretas (PT do B). O documento entregue à prefeitura foi assinado por outros oito membros da Câmara.

Pedido de desculpas

Segundo o assessor da Secretaria Municipal de Educação (SME), Carlos Roberto Vieira, a cartilha não foi produzida pela prefeitura, tampouco distribuída pelo município nas instituições de ensino da cidade. O material teria sido levado de casa pela própria professora.

“Não foi uma cartilha entregue em massa, mas um caso pontual pelo qual a professora já se desculpou. Tomamos a providência de conversar com a equipe pedagógica da instituição e orientar para que os professores leiam todo o material antes de apresentá-lo em sala de aula”, disse.

De acordo com o assessor, a cartilha, produzida na década de 80 pelo governo federal, tratava do tema “família”. “A professora, no entanto, não leu todo o conteúdo e, infelizmente, acabou usando o material inadequadamente”, ressaltou.

O pai de uma das crianças que teria recebido o livro e comunicou à Câmara não quis falar com o Hoje em Dia. Em mensagem enviada pelo celular, disse que não gostaria de comentar o assunto. “Tive uma reunião com a professora, que me pediu mil desculpas, e a direção da escola já reparou o erro. Não quero prejudicá-la. Já denunciei, fiz minha parte, e agora quero ficar quieto”, disse. A escola fica no bairro Santa Mônica.

 “Em educação infantil não se usa cartilha. Nessa idade é necessário brincar. A sexualidade, apenas como forma de diferenciação entre menina e menino, deve ser naturalizada e não ressaltada” Magali dos Reis - Doutora em educação infantil e professora na PUC Minas