Um casal foi condenado por homicídio qualificado do pedreiro. Wilson Venâncio Félix foi condenado a 18 anos e nove meses e Maria Geralda Souza Félix a 16 anos e seis meses de prisão. O julgamento ocorreu nessa quarta-feira (24), na comarca de João Monlevade. A pena deverá ser cumprida em regime inicialmente fechado. Os dois réus, contudo, poderão recorrer contra a condenação em liberdade.
 
Os réus foram condenados por terem matado o pedreiro para tentar dar um golpe em companhias de seguro. O crime aconteceu em fevereiro de 1998. A tentativa de golpe foi descoberta pela polícia pouco depois de o carro de Maria Geralda ter sido encontrado totalmente queimado e com um corpo carbonizado dentro, em uma área de reflorestamento que dá acesso ao município de Rio Piracicaba.
 
Enquanto aguardam a fase de recurso, os acusados deverão cumprir medidas cautelares. Eles não poderão se ausentar da comarca em que residem sem prévia autorização judicial; deverão comparecer mensalmente em juízo; terão que se recolher às suas casas das 18h às 6h, nos dias úteis, e deverão ficar recolhidos ao domicílio nos finais de semana e feriados. Os dois também não poderão se ausentar do país.
 
Histórico
 
Em fevereiro de 1998, Maria Geralda informou à polícia que o condutor do automóvel era seu marido, Wilson Venâncio Félix, que tinha ido de Belo Horizonte a João Monlevade para trocar alguns cheques. Os investigadores estranharam o pouco interesse de Maria Geralda na apuração das circunstâncias da morte e, após algumas diligências, descobriram que a família atravessava uma situação financeira difícil. As investigações revelaram que Wilson, em agosto e em setembro de 1997, havia contratado seguros de vida nos valores de R$ 120 mil e de R$ 280 mil. As apólices tinham como beneficiárias Maria Geralda e uma filha do casal.
 
As apurações também mostraram que um dia antes de o carro ser encontrado totalmente destruído, Wilson havia combinado uma viagem com o pedreiro para a realização de alguns serviços em um sítio em Ravena. Após essa viagem, o pedreiro nunca mais foi encontrado.
 
 
Júri
O julgamento em João Monlevade começou às 8h30 e terminou por volta das 22h, dessa quarta-feira (24). Foram ouvidas duas testemunhas da acusação. As testemunhas da defesa não foram localizadas para intimação.
 
Segundo a denúncia do Ministério Público, o pedreiro tinha semelhanças físicas com Wilson e, por isso, foi escolhido como vítima do crime. Em João Monlevade, após possivelmente golpear a vítima e deixá-la desacordada, Wilson levou o automóvel para um local ermo e ateou fogo.
 
Maria Geralda chegou a reconhecer o corpo carbonizado como sendo o do marido e iniciou os procedimentos exigidos para o recebimento do seguro. Um exame de DNA feito nos ossos, contudo, confirmou que o corpo não era de Wilson, mas do pedreiro. As investigações também provaram que, mesmo após a morte simulada, Wilson manteve contato com a família e movimentou sua conta bancária.
 
Em dezembro de 2004, Wilson e Maria Geralda foram pronunciados (quando o juiz reconhece que há indícios da autoria do crime e determina que os réus sejam levados a júri popular).
 
(*Com TJMG)