Um espaço de história e de preservação das tradições típicas do povo mineiro. Esse é o objetivo do Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional da Lagoa do Nado, que será instalado no antigo casarão do Parque Ecológico, localizado entre os bairros Planalto e Itapoã, em Belo Horizonte. O centro começa a funcionar no dia 14 de dezembro, com uma exposição em referência ao próprio local e à cultura do Estado e do país. 
 
A construção, datada de 1930, ainda mantém traços originais, como as janelas de madeira pintadas de branco, com duas partes, uma para entrada do sol e outra para escurecer os ambientes. O piso de taco em várias cores, que formam desenhos diferentes nos ambientes, é outro aspecto original. A lareira, no andar térreo, e a escada em mármore vermelho e corrimão em madeira e ferro também são detalhes originais mantidos na decoração do Centro. 
 
Com a readequação, a sala de dois ambientes no andar térreo será destinada às exposições. No andar superior, haverá um espaço reservado para um vasto acervo de documentos e fotos históricas, aberto para pesquisadores e para o público em geral. Outra sala, no mesmo andar, poderá ser utilizada por grupos populares, para reuniões e ensaios. 
 
“É um lugar que faltava na cidade. A proposta não é de um museu tradicional, apenas com acervo, mas, sim, um centro cultural e de referência para a cultura popular. Será um espaço utilizado pela comunidade, por grupos locais, como de dança, música e literatura”, explicou a diretora de Políticas Museológicas da Fundação Municipal de Cultura, Luciana Feres. 
 
Desde a década de 1990, o espaço recebia artistas populares. Com a revitalização, o local foi reformulado e a biblioteca, que antes ocupava grande parte do casarão, foi deslocada para um imóvel no pavilhão da frente. “Essa requalificação reafirma uma vocação que o espaço sempre teve. É um ganho muito grande para a comunidade”, afirmou a gerente do Centro, Joanna Guimarães.
 
Pressão popular
 
A casa foi revitalizada a partir de uma reivindicação da própria comunidade, na Conferência Municipal de Cultura. A mobilização popular pela criação do espaço de cultura remete, ainda, aos motivos que levaram à fundação do Parque Lagoa do Nado, hoje um dos principais espaços de lazer da região Norte da cidade. Em 1994, quando a área era ameaçada pela especulação imobiliária, vizinhos se uniram para garantir a manutenção do espaço verde, que antes era uma antiga fazenda. O casarão, que passará a abrigar o Centro de Referência, era a casa dos proprietários do terreno.
 
ALÉM DISSO
 
Conjunto arquitetônico na zona Sul da capital
 
Casarões da década de 1930, localizados na avenida Amazonas, entre as ruas Aimorés e Mato Grosso, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, serão transformados em um centro cultural. O projeto já foi aprovado pela Fundação Municipal de Cultura (FMC), bastando apenas a liberação do alvará pela prefeitura. A previsão é a de que, a partir de março de 2015 , quatro imóveis sejam revitalizados e um demolido para erguer uma torre de 11 andares na parte de trás, onde funcionarão as futuras instalações do Colégio Santo Agostinho.