Milhares de pessoas ignoraram o apelo dos médicos em Minas para ficar em casa nos feriados prolongados do Natal e Réveillon. Mesmo com redução no fluxo de passageiros, se comparado às festas de fim de ano de 2019, o Aeroporto de Confins, na Grande BH, e a Rodoviária de Belo Horizonte, registram movimento intenso desde ontem, que deve se manter até o início de janeiro.

Também ontem, os casos de Covid-19 explodiram no Estado, que bateu recorde de infectados. Foram 6.519 notificações em apenas 24 horas. Agora, são 510.219 testes positivos para o novo coronavírus. As vidas perdidas somam 11.355. Além disso, oito das 14 regiões regrediram para a chamada onda vermelha, que permite apenas serviços essenciais. 

“É um risco absurdo, incalculável (viajar)”, crava o infectologista Estevão Urbano, do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 em BH. A recomendação dele e demais especialistas em se manter o isolamento virou regra universal, uma espécie de mantra repetido várias vezes nas últimas semanas. O alerta, porém, deixou de ser seguido por muita gente. 

No terminal rodoviário da capital, 40 mil passageiros vão embarcar até 29 de dezembro. No aeroporto, até a mesma data, são 130 mil. Os destinos mais procurados são Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, Conceição da Barra, Prado e Porto Seguro. 

Os espaços têm adotado medidas de prevenção à Covid, como uso obrigatório de máscaras, disponibilização de álcool em gel e controle de distanciamento.

Nas ruas e avenidas da metrópole, o movimento de veículos também foi intenso. Destaque para o Anel Rodoviário, uma das principais saídas para quem segue de carro rumo aos litorais carioca e capixaba. Na BR-381, o fluxo foi grande desde o início da manhã. 

O trajeto de carro – para famílias que não abrem mão de viajar – é o recomendado. Porém, conforme reforçou o infectologista Estevão Urbano deve-se optar por passeios mais curtos, com o menor número de paradas possível na estrada. “Mas não adianta fazer tudo direitinho e ficar em uma aglomeração em outra cidade”, alertou.

*Com informações de Luiz Augusto Barros, Cinthya Oliveira e Maria Amélia Ávila