Falta de adesão ao isolamento social, flexibilização da quarentena e baixa testagem. Fatores que, afirmam especialistas, podem ter contribuído para um aumento expressivo de mineiros com Covid-19 em apenas 21 dias. De 2 a 23 de julho, os casos confirmados da doença dobraram no Estado, passando de 50.707 para 102.568. O número de mortes não fica para trás. Até o início do mês eram 1.059 registros. No boletim epidemiológico divulgado ontem, 2.238 – crescimento de 111%.

Cenário semelhante em Belo Horizonte. No mesmo período, o acréscimo de pessoas infectadas na metrópole superou 128%, chegando, nesta quinta-feira (23), a 14.634. Os óbitos tiveram um salto ainda maior: 165%, passando de 157 para 417 em três semanas. 

O quadro já era esperado, destaca o infectologista Mozar de Castro Neto, que também é superintendente técnico do Hospital da Baleia. Depois de um aumento lento nas notificações, o especialista afirma que, em algum momento, o ritmo de infecção seria mais acelerado em função da dificuldade de testagem massiva da população, para fins de vigilância epidemiológica, e da baixa adesão ao isolamento.

“À medida em que o tempo vai passando, a pessoas entram num processo de exaustão e deixam de lado os cuidados com distanciamento social. De uns dois meses para cá, várias delas estão se reunindo em encontros familiares”, frisou o médico.

Covid

Maior circulação

O avanço expressivo da Covid-19 em Minas também deve levar em consideração a reabertura de parte do comércio no fim de maio, como ocorreu na capital, complementa a infectologista Ana Helena A. Figueiredo, do grupo Iron. Vale lembrar que o recuo da flexibilização na metrópole se deu há quase um mês, em 29 de junho.

“O que vemos agora (quantidade de doentes) não é reflexo de ontem, mas de três semanas atrás. Se as pessoas seguirem a quarentena, talvez agora melhore. Não é efeito imediato. A Covid precisa de um tempo para se manifestar. Primeiro, o coronavírus é transmitido, se manifesta, transmite de novo e, aí, vemos o aumento de casos”, explica a especialista.

O governo do Estado foi procurado para comentar o crescimento acelerado dos casos em um curto espaço de tempo, mas disse que deve se posicionar hoje.

Sem definição

A reunião entre representantes da prefeitura e dos empresários de Belo Horizonte, ontem, terminou sem definição para a reabertura do comércio na cidade. Participaram do encontro a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH).

Segundo Paulo Solmucci, à frente da Abrasel, os debates, por videoconferência, foram proveitosos. “A prefeitura se comprometeu em revisar os protocolos apresentados pelas entidades. Eles vão levar em consideração as sugestões do nosso plano e que essa revisão seria apresentada à sociedade até a próxima quarta-feira. Estamos otimistas para que a gente possa avançar nesta direção, e aguardando com ansiedade esse momento tão importante da nossa retomada”.

Na última quarta-feira, empresários de vários setores realizaram uma manifestação na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital, e apresentaram uma proposta de reabertura do comércio em cinco fases, a partir do próximo dia 27.</CW> Em nota, a administração municipal disse ter recebido o plano de retomada e que vai analisar as sugestões.