A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) fez um apelo à prefeitura da capital mineira a iniciar imediatamente um diálogo com o governo de Minas para tratar do enfrentamento à pandemia de Covid-19. Nesta sexta-feira (29), foi anunciado pelo prefeito Alexandre Kalil que um dos motivos para a cidade não avançar na reabertura de algumas atividades de comércio é a progressão da doença no interior do Estado.

“Entendemos que o comércio de Belo Horizonte não pode ser penalizado por uma suposta negligência no combate ao coronavírus no interior do Estado”, afirmou a CDL, em nota.

Nesta sexta, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou mais de 9,2 mil casos de Covid-19 em Minas e 257 mortes pela doença. Mais da metade dos municípios do interior já registraram ao menos um caso do novo coronavírus.

“Respeitamos todas as medidas anunciadas pela Prefeitura, especialmente o isolamento social. Fizemos um grande sacrifício. A maioria dos estabelecimentos dos setores de comércio e serviços fechou as suas portas e procurou manter os seus empregos. Temos a convicção que tal comportamento foi de fundamental importância para salvar vidas”, disse a CDL.

Dados

Além do aumento de casos no interior, que pode impactar no número de leitos da capital mineira, já que várias cidades não possuem leitos de terapia intensiva, Belo Horizonte registrou outros indicativos que não permitem uma maior flexibilização no comércio neste momento. A ocupação de leitos de UTI para a Covid-19 também aumentou, mudando de 40% (verde) para 52% (amarelo).

Além disso, a taxa de transmissão (R0) subiu de 1,09 para 1,24 – ou seja, cada infectado transmite o vírus, em média, para 1,24 pessoas. Essa é uma prova, segundo a prefeitura, de que há uma expansão da doença na capital. A queda no isolamento social também contribuiu para a decisão do município.

Confira os setores que podem funcionar atualmente:

- Serviços essenciais (supermercados, padarias, farmácias, armazéns, agências bancárias, lotéricas, entre outros);
- Comércio varejista de artigos de iluminação;
- Comércio varejista de artigos de cama, mesa e banho;
- Utensílios, móveis e equipamentos domésticos, exceto eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo;
- Tecidos e armarinho;
- Artigos de tapeçaria, cortinas e persianas;
- Limpeza e Conservação;
- Artigos de papelaria, livraria e fotográficos;
- Brinquedos e artigos recreativos;
- Bicicletas e triciclos, peças e acessórios;
- Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal;
- Veículos automotores;
- Peças e acessórios para veículos automotores;
- Pneumáticos e câmaras-de-ar;
- Comércio atacadista dos artigos de comércio varejista permitidos na fase 1, a partir de 25 de maio;
- Cabeleireiros, manicure e pedicure;
- Centros de comércio popular instituídos a qualquer tempo por Operações Urbanas visando a inclusão produtiva de camelôs, desde que localizados no Hipercentro ou em Venda Nova.