O Cemitério da Paz de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, vai passar por uma vistoria após o muro que cerca o local desabar e danificar diversos túmulos. Na tarde desta terça-feira (4), o juiz da Vara de Fazenda Pública da cidade, Núbio Parreiras, concedeu liminar em favor do pedido feito pela prefeitura para avaliar os estragos e tomar as providências necessárias.

Na noite da última sexta-feira (31), um talude que separa o cemitério de uma obra particular veio abaixo e aproximadamente 30 jazigos, com três gavetas cada, foram atingidos. O deslizamento ocorreu no mesmo dia em que a Procuradoria-Geral do município interditou o local por causa dos riscos apresentados.

Imagens de um circuito de segurança mostram a parte inferior do muro coberto por lonas e é possível perceber quando a terra começa a descer. Em determinado momento, toda a estrutura desaba. Chovia no momento do acidente.

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Os fiscais atestaram que a obra estava irregular. Não havia projeto arquitetônico e também alvará para a etapa que estava sendo feita. “Desde 2017 essa obra começou a dar problema porque a empresa solicitou autorização para fazer uma movimentação de terra. Em seguida construíram um muro que caiu em 2018. Depois, o fiscal constatou que havia uma laje. Um dia antes do acidente, outra fiscalização constatou novos riscos”, explicou o diretor de comunicação da prefeitura, Evandro Araújo.

Em reunião realizada entre prefeitura, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, advogados da construtora responsável pela obra e parentes de pessoas enterradas no cemitério, ficou definida a interdição da área para que, logo em seguida, seja feita a remoção dos restos mortais nos escombros.  “Vamos separar os ossos encontrados para que sejam encaminhados para exames de DNA”, disse Araújo.

Ainda segundo o diretor de comunicação, 15 túmulos ficaram intactos após o deslizamento e os restos mortais foram guardados, provisoriamente, na capela do cemitério. “Os familiares podem levar o material para enterrar em outro cemitério ou aguardar até que a situação seja resolvida”.

Em nota, a empresa se solidarizou com os familiares atingidos pelo desmoronamento dos jazigos e informou que sempre agiu obedecendo as normas de engenharia civil e legais. “Estamos, neste momento, em esforço conjunto com o município e demais órgãos públicos buscando soluções para restabelecer o quanto antes as condições adequadas de segurança para que as autoridades possam iniciar os trabalhos necessários no local. De imediato, objetivando a apuração dos fatos, a empresa já requereu perícia judicial prévia que aguarda exame da Justiça” diz o comunicado.