Mais de 100 mil pessoas devem passar pelos quatro cemitérios públicos de Belo Horizonte, neste feriado de Finados, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte. Só no Cemitério do Bonfim, na região Noroeste da capital, a expectativa é que 20 mil visitem os túmulos para prestar homenagem aos mortos. Estão previstas celebrações religiosas até as 17h30.

A professora Mônica Glauce Henrique, de 42 anos, aprendeu com a mãe a homenagear quem já se foi, quando ainda era criança. Hoje é ela quem traz flores nas mãos e acompanha as sobrinhas. "Não é assim: morreu e acabou. É o sentimento que move a gente", frisa. Nos últimos quatro anos, a educadora também ora pela matriarca. "Peço pra me proteger". 

Além de orar pelos parentes, muitos fazem homenagens a personalidades sepultadas na necrópole. A aposentada Nilda Moura, de 77, é devota da Irmã Benigna. "Conheci ela pessoalmente e alcancei muitas graças por intercessão dela". Apesar dos restos mortais da beata terem sido transferidos do jazigo para o Santuário Serra da Piedade, a peregrinação permaneceu.

Os túmulos dos ex-governadores de Minas Gerais Raul Soares, Olegário Maciel e Benedito Valadares também receberam visitas. Também estão enterrados no local, os corpos da mãe do ex-presidente Juscelino Kubitschek, Júlia Kubitschek, e o filho do poeta Carlos Drummond de Andrade, Carlos Flávio. 

Trânsito

Para garantir segurança aos visitantes, a BHTrans está com reforço para monitorar o trânsito, que sofreu pequenos desvios nas ruas Mariana e Timburi. As vias estão com um trecho em mão única. Agentes de trânsito estão fazendo desvio também na rua Arceburgo.

Segurança

A Guarda Municipal e a Polícia Militar também estão atuando para, principalmente, combater a cobrança ilegal de valores para a manutenção de sepulturas. Prática conhecida como "enxadinha".

Conforme o diretor de Planejamento, Gestão, Finanças e Necrópoles da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, Wellington Geraldo da Silva Corrêa, nenhuma cobrança deve ser feita aos titulares de concessão de jazigos. "Todos os custos com manutenção são arcados com o Documento de Arrecadação Municipal (Dram). 

Comércio

Com a previsão de 20 mil pessoas no Cemitério do Bonfim, comerciantes aproveitam para faturar com a venda de flores de vários tipos e cores. O preço mínimo é R$ 2 na unidade da rosa. 

Gerente de uma floricultura nas proximidades da necrópole, Daniel Silvestre improvisou uma segunda loja e, ainda, armou uma tenda em frente ao cemitério. "Em um dia, consigo 80% do faturamento do mês", frisa. Ele conta que as espécies mais procuradas são crisântemo, rosas e flores do campo. 

Conforme Odete Helena Vaz de Melo, proprietária de outra flora, o dia de homenagens faz de novembro um mês especial para o comércio. "Em dias comuns não vendo nenhuma unidade, hoje contratei um ajudante", ressalta. 

No entanto, a empresária reclama da concorrência. "Pago os impostos o ano inteiro para ter as portas abertas e, quando posso ter lucro, a prefeitura cede espaço para venda de ambulante". Em frente à necrópole, três barracas foram armadas para a venda das plantas. 

Uma das estruturas foi montada pela aposentada Lina da Conceição Diniz, de 71 anos. A idosa aproveita a data para ganhar um dinheiro extra. "É com o faturamento que vou reformar a sala da minha casa. Só com o salário não dá", conta. Moradora do bairro São Benedito, em Lagoa Santa, na região metropolitana, ela vem há 50 anos para o mesmo espaço. "Este ano, as vendas estão ainda melhores".

Quanto à reclamação da comeciante, o diretor de Planejamento, Gestão, Finanças e Necrópoles da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, Wellington Geraldo da Silva Corrêa, disse que a licença para o comércio concedida pela prefeitura é legal. "Apenas os estabelecimentos locais não dão conta do público". Segundo ele, a autorização é feita mediante o pagamento de taxas e realizada, apenas, no Dia de Finados.

 

Além do Cemitério do Bonfim, são esperados vistantes também nos cemitérios da Consolação, da Saudade e da Paz.

Leia mais:
A vida além do luto: como a solidariedade pode amenizar a dor de perder alguém querido