Com o aniversário de um ano da Central de Bloqueio de Celulares de Minas Gerais (Cbloc), a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) divulgou que, ao todo, 15 mil aparelhos furtados ou roubados no Estado foram inutilizados por meio da plataforma, que desburocratizou o processo de bloqueio destes telefones. Outro dado importante divulgado pela pasta é que, neste período, o número de roubos de celular caíram 33% em Belo Horizonte e 28% em Minas. 

Com o bloqueio, há a diminuição do valor dos celulares no mercado ilegal. "A Cbloq é um sistema que pode ser utilizado por qualquer mineiro de forma gratuita e fácil, já que para bloquear o celular e proteger dados pessoais como fotos ou caminhos de GPS salvos, ele só precisa do número da linha, e não mais do IMEI – identificação internacional do equipamento móvel", explica a secretaria. 

Para realizar o bloqueio, a vítima de furto ou roubo deve registrar o Boletim de Ocorrência e, em seguida, acessar a página da Sejusp. Com menos de três cliques a pessoa consegue realizar a inutilização do celular. "Há também a vantagem para o cidadão da ampliação das chances de ele ter o seu celular de volta, caso ele seja encontrado pelas autoridades policiais, se ele tiver sido identificado e bloqueado na plataforma", completa.

O subsecretário de Inteligência e Atuação Integrada da Sejusp, coronel Etevaldo Caçadini, afirma que a inutilização do aparelho pela Cbloq reflete diretamente na criminalidade. "A plataforma é importante porque atende as pessoas lesadas na ponta da linha e ainda inibe a ação criminosa. Os criminosos estão pensando duas vezes antes de praticar qualquer tipo de roubo ou furto no Estado, já que o produto será inutilizado", disse. 

A secretaria lembrou ainda que, em 2019, algumas unidades da Polícia Militar (PM) também começaram a bloquear os aparelhos roubados e furtados imediatamente após o registro da ocorrência. O pioneiro foi o 60º Batalhão, com sede em Nova Serrana, na região Centro-Oeste do Estado. Isso também já está acontecendo em cidades como Montes Claros, Divinópolis, Carmo do Cajuru, Cláudio, São Gonçalo do Pará, Itaúna e Itatiaiuçu. 

Redução nos crimes

Ainda de acordo com a Sejusp, após um ano do Cbloq, as ocorrências de roubo de celulares apresentaram uma queda de 33%, passando de 7.569 registros em 2018 para 5.060 no mesmo período deste ano. A redução também foi sentida em Minas Gerais, com os casos deste crime passando de 20.052 para 14.343 em 2019, uma queda de 28%. 

Visando ampliar a chance da inutilização dos celulares quando eles estiverem com os criminosos ou receptador, a pasta permite que a vítima faça o bloqueio de equipamentos cujo registro da ocorrência tenha acontecido em até 48h antes do processo. Entretanto, mesmo que o registro tenha sido feito antes desse prazo, a pessoa pode solicitar o bloqueio, porém, é preciso comparecer a uma unidade da PM ou da Polícia Civil (PC). 

"Vale ressaltar que apenas o aparelho celular é bloqueado por meio da Cbloc. O cidadão não perde o número da linha ou qualquer benefício junto à operadora, se assim desejar. O bloqueio da linha, inclusive, por não se tratar de procedimento de segurança pública, deve seguir o trâmite normal hoje utilizado pelo dono do celular que foi roubado ou furtado: deve-se fazer contato junto a cada operadora", completa a secretaria. 

Recuperação

É importante lembrar que, caso o aparelho bloqueado pela vítima seja recuperado pelas forças policiais, as corporações entram em contato com o proprietário, que só precisará se dirigir à unidade policial para retirar o celular, sendo necessário apenas o preenchimento do Termo de Restituição. Além disso, a autoridade será a responsável, por meio de sistema próprio, pela realização do pedido de desbloqueio do aparelho via Anatel.

Isso aconteceu com a fisioterapeuta Jessica Ribeiro, de 28 anos. Ela foi roubada dia 16 de maio deste ano e, oito dias depois, teve a surpresa de ter o aparelho recuperado e devolvido pela Delegacia de Polícia Civil de Nova Serrana. "Depois de uma semana, recebi uma ligação dizendo que conseguiram recuperar o meu telefone. Foi uma grata surpresa. É uma chance de ter o telefone de volta. Tenho recomendado para todos os amigos e familiares", garante a jovem.

O celular dela foi entregue por uma pessoa que havia comprado o aparelho após contato com um vendedor em uma rede social e, depois de efetuar o pagamento, acabou descobrindo que o celular estava bloqueado por roubo.

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