Moradores de rua de Belo Horizonte ganharam, a partir deste sábado (13), um espaço de apoio e referência durante o enfrentamento da pandemia de Covid-19 na capital. A Serraria Souza Pinto, integrante do conjunto arquitetônico da Praça da Estação, na Região Centro-Sul, foi preparada para atender 600 pessoas por dia. 

A iniciativa é da Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio do projeto Canto de Rua Emergencial. "O projeto faz parte da frente humanitária criada para atender homens e mulheres, de todas as idades, principalmente diante da falta de políticas públicas específicas para o enfrentamento da situação", disse Cristina Bove, coordenadora da Pastoral de Rua em BH.

Segundo ela, o isolamento social devido ao coronavírus está sendo devastador para essa fatia da população. "Quando começou o processo da pandemia, esse público ficou sem lugar para ir, não tem lugar, não tem moradia, e para onde eles vão? A solidão e o sofrimento são violentos", enfatiza.

De acordo com o Cadastro Único, Belo Horizonte tem atualmente 4.553 moradores em situação de rua

Dentro do espaço montado na Serraria, os sem-teto vão receber lanche, atendimentos sociais, poderão tomar banho e ganharão cerca de 2 mil kits com sacos de dormir, cobertores, roupas, álcool em gel e máscaras. 

Estrutura

A estrutura foi pensada juntamente com o Comitê Municipal no Combate à Covid-19 da Prefeitura de BH. A área foi dividida em salas e tendas para evitar aglomerações, com espaço para atendimento médico, escuta social, defensoria pública, banheiros com chuveiros, pias para higienização, tenda para animais e carrinhos, lavanderia e guarda volume.

"No Brasil, temos mais de 150 mil pessoas com trajetória de vidas nas ruas. Em BH, o número atualizado, de acordo com o Cadastro Único, é 4.553 pessoas em situação de rua. Trata-se de um público que vivencia uma extrema vulnerabilidade", disse José Cruz, secretário-adjunto de Assistência Social.

O atendimento no espaço será das 8h às 14h.  As cadeiras respeitam o distanciamento social, só podendo entrar 50 pessoas por vez. A previsão é que o centro de apoio funcione até agosto. 

Os moradores de rua que forem ao local serão recebidos por profissionais da saúde e serão submetidos a uma consulta inicial. Quem chegar à Serraria com sintomas de Covid-19 será encaminhado para uma unidade de saúde.

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