Na tentativa de desafogar as unidades de saúde da capital e agilizar a assistência aos pacientes, a prefeitura aposta na abertura de Centros de Atendimento à Dengue (CADs). Nesses locais, apenas pessoas infectadas com a doença terão acolhimento. A primeira das três estruturas anunciadas deve ser aberta até este sábado (27), no Barreiro.

Belo Horizonte registra alto número de casos da enfermidade. Só de 16 de março até agora foram 10.750. Desde o início do ano, há 14.271 notificações, sendo 4,1 mil confirmações. Os CADs irão funcionar diariamente, das 7h às 18h. 

Cada espaço terá 16 médicos, cinco enfermeiros e oito técnicos de enfermagem. O do Barreiro funcionará no Complexo de Saúde, no bairro Flávio Marques Lisboa, e acolherá também pacientes das regiões Oeste e Noroeste.

Já as outras duas unidades, a serem instaladas nas regiões Nordeste e Venda Nova, ainda não podem ser abertas, pois a prefeitura não conseguiu contratar funcionários.

“Está um pouco difícil de achar (interessados nas vagas) porque os médicos, muitas vezes, acham as condições de trabalho um pouco inadequadas, o que não é verdade. Os CADs são em locais de fácil acesso e o trabalho é diluído entre os diversos profissionais”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto.

Além dos casos de dengue, centros de saúde e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) estão abarrotados de pacientes com doenças respiratórias, conforme o Hoje em Dia mostrou na edição de 19 de abril. Típicas da passagem do outono para o inverno, as enfermidades chegaram mais cedo à metrópole.

“Mas é importante ressaltar que todos os postos possuem insumos e profissionais para atendimentos de pessoas com suspeita de dengue, não há a necessidade de deixar de ir a esses locais”, orientou Jackson Machado.

Verbas

Nesta quinta-feira (25), o prefeito Alexandre Kalil afirmou que a rede de saúde da Grande BH está sufocada. Segundo ele, o governo do Estado tem atrasado verbas aos municípios, chegando ao montante de R$ 1 bilhão na região metropolitana. Por conta disso, diz o chefe do Executivo da capital, pacientes de cidades do entorno estão vindo em busca de assistência na metrópole, lotando as unidades. 

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou ter repassado, em 2019, mais de R$ 245 milhões ao Fundo Municipal de Saúde de BH. Desse total, cerca de 85% eram relativos a resoluções de anos anteriores.

Sobre os demais débitos em atraso, a SES-MG diz ser de suma importância a regularização dos repasses e reforça que o Governo de Minas está trabalhando para mudar essa realidade. “Prova disso é o acordo firmado com a Associação Mineira de Municípios, que possibilitará o pagamento de R$ 7 bilhões às prefeituras mineiras”.