Cerca de 90 pessoas, vítimas do rompimento da barragem da Minas Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram ouvidas, nesta sexta-feira (31), durante um mutirão na cidade, realizado pelo Ministério Público de Minas Gerais e pela Polícia Civil.

Durante o mutirão, as vítimas também foram submetidas a exames de corpo de delito, realizados por três médicos legistas do Instituto Médico Legal (IML). Foi solicitado a elas que levassem exames médicos realizados nos últimos quatro meses. Segundo o promotor de Justiça de Brumadinho William Garcia Pinto Coelho, foram colhidos depoimentos referentes a lesões corporais, que resultaram do acidente.

"Este é o tempo adequado de acomodação de perspectivas pessoais e psicológicas dessas pessoas, o tempo que dá elementos suficientes pra gente saber se ocorreram lesões graves ou gravíssimas, ou seja, se elas deixaram de praticar suas atividades laborativas por mais de determinado tempo, se elas tiveram alguma deformidade permanente, se elas perderam total ou parcial alguma função ou tiveram alguma lesão permanente que vai gerar algum dificultador pra vida dessa pessoa", explicou o promotor.

De acordo com promotor, apesar de lesões psicológicas – como traumas decorrentes do fato –, não entrarem na tipologia de lesão corporal, elas estão sendo abordadas com a mesma preocupação pela força-tarefa, por meio de uma abordagem humanística e de direitos humanos.

Conforme o delegado Eduardo Vieira Figueiredo, o detalhamento do que foi vivenciado antes do rompimento da barragem e no dia do fato é fundamental para se chegar a uma conclusão criminal adequada, com a exata individualização das responsabilidades de pessoas que devem ser responsabilizadas. 

O atendimento foi realizado em uma faculdade, em Brumadinho. Participaram também do mutirão o coordenador regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios das Velhas e Paraopeba, promotor de Justiça Francisco Generoso, os delegados Bruno Tasca Cabral e Carolina Bechelany, analistas do MPMG, escrivães e investigadores de polícia. 

O rompimento da barragem foi no dia 25 de janeiro deste ano. Balanço recente aponta 245 mortos identificados e 25 pessoas desaparecidas.

* Com MPMG

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