SÃO PAULO - Cerimônia marcada para a próximo dia 4, em Baependi (MG), vai beatificar Francisca Paula de Jesus, mais conhecida como Nhá Chica. Ela será a primeira beata negra nascida no país.

O reconhecimento de um milagre atribuído a Nhá Chica foi assinado em junho do ano passado pelo então papa Bento 16. O decreto encerrou o processo de beatificação, último passo antes da santificação.

O milagre é a cura, sem cirurgia, de uma doença no coração da professora aposentada Ana Lúcia Meirelles Leite, de Caxambu (MG), segundo a Igreja Católica.

Em outubro de 2011, uma comissão de médicos do Vaticano validou a cura como milagre. O reconhecimento do milagre era analisado desde 2007 pela Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano.

Para Nhá Chica ser elevada a condição de santa será preciso o reconhecimento pelo Vaticano de um segundo milagre atribuído a ela.
O Brasil tem cerca de 40 candidatos a santos, como beatos, veneráveis e servos de Deus. Apenas Santa Paulina, que nasceu na Itália e imigrou para o Brasil aos 10 anos, e Frei Galvão são considerados santos do país.

Nhá Chica já era considerada pela Igreja Católica como serva de Deus desde 1991. No começo do ano passado, foi reconhecida como venerável.
Neta de escravos, analfabeta e solteira, Nhá Chica era chamada de "mãe dos pobres" por sua dedicação a caridade. Ela construiu uma pequena igreja ao lado de sua casa para rezar para pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição que era de sua mãe.

Ela nasceu em 1808 na cidade de São João del Rei (MG) e morreu em 1895 em Baependi (MG). Nhá Chica nunca pertenceu a uma organização religiosa e chegou a ser considerada santa durante a sua vida, na cidade de Baependi (MG).