O governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) esteve em Brumadinho na tarde desta sexta-feira (25) para avaliar os desdobramentos do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão. O chefe do Executivo deu uma entrevista coletiva na Faculdade Asa, onde está montado o comando de resgate às vítimas.

De acordo com Zema, os agentes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e outros órgãos estão empenhados no resgate. "Mas sabemos agora que as chances de haver sobreviventes são mínimas e que provavelmente resgataremos corpos", afirma o governador.

Ele ainda pontuou que tem recebido apoio de forças de outros estados e também do governo federal, mas que, no momento, a força-tarefa montada pelas entidades mineiras tem sido suficiente. 

A partir de segunda-feira, as forças que atuam nos resgates devem solicitar ajuda de outras corporações para o uso de cães farejadores no local. "Mas neste momento a grande preocupação é acompanhar o estado da barragem que ainda permanece, ver se ela está segura e tomar todas as medidas necessárias. Parece que o tempo está estável, mas caso chova, (os rejeitos da barragem) devem se mover mais um pouco", disse o governador. 

Zema também disse acreditar que o rompimento da barragem de Brumadinho tem características diferentes da tragédia em Mariana. "Lá o vazamento fluiu por centenas de quilômetros. Aqui, embora tenha tido um número maior de vítimas, o vazamento vai ficar territorialmente limitado. Neste momento, não estamos apurando as causas, isso não é o foco. Estamos concentrados em fazer o atendimento dos afetados", concluiu. 

Perícia 

Wagner Pinto de Souza, chefe da Polícia Civil, disse que a corporação vai avaliar o ocorrido. "Temos a preocupação em buscar as provas. Logicamente, haverá investigação policial para definir causas e a eventual responsabilidade penal dos fatos", disse.

O coronel Edgard Estevo da Silva, comandante geral do Corpo de Bombeiros, disse que no local atuam sete aeronaves e que elas são suficientes para fazer o controle da área. Ele também disse que a corporação deve manter até 90 bombeiros por dia no local para as buscas e faz um apelo para que voluntários que queriam ajudar não entrem na chamada "área quente".

"Trata-se da área de risco onde estão sendo realizadas as operações de busca e salvamento. Os grupos de voluntários, como os jipeiros, podem ajudar vindo no posto do comando para serem credenciados, mas não na área quente, pois não podemos ter mais vítimas". 

Já o coronel Giovani, da Polícia Militar, disse que foi estabelecido um plano de assistência para todas as pessoas que forem retiradas do local e que a própria mineradora Vale se encarregará de encaminhar as vítimas para hotéis da região. 

Até as 22h desta sexta (25), sete corpos foram encontrados, nove pessoas foram socorridas com vida e cerca de 100 pessoas que estavam ilhadas foram resgatadas. Mas outras 150 pessoas ainda estão desaparecidas, entre funcionários da Vale e moradores da região.