A chuva ameaça os planos dos blocos de rua que vão desfilar em Belo Horizonte neste ano. A criação de novos pontos de risco de alagamentos na cidade levou autoridades a se unirem em um esquema de monitoramento para a folia na capital, que começa oficialmente nesse fim de semana e deve atrair cerca de 5 milhões de pessoas. Se a previsão do tempo para os próximos dias indicar temporais, a programação poderá sofrer alterações e até cancelamentos.

A vigilância é feita por uma força-tarefa formada pela Belotur, BHTrans e Defesa Civil municipal. Dos 36 grupos que farão cortejos nesse sábado e domingo, dez estão no radar dos agentes. Desses, representantes de quatro foram chamados para conversar sobre possíveis mudanças no trajeto. 

O bloco Família ZN foi um deles e alterou a dispersão dos foliões, que estava prevista para a rua Cecília Pinto, 315, no bairro São Bernardo, região Norte, perto da Vila Aeroporto, que registra alagamentos durante tempestades. Agora, os participantes ficarão em frente ao número 117 da mesma via.

“Foi até melhor, porque é chato para quem vai curtir correr algum risco. Desfilamos desde 2013 no mesmo bairro, mas mudamos de local há alguns anos justamente para evitar qualquer incidente com a chuva”, explicou João Pedro Félix dos Santos, um dos organizadores do grupo.

De acordo com a Belotur, a mudança no trajeto dos blocos deste fim de semana é opcional, uma vez que, por enquanto, não há previsão de fortes chuvas como as registradas em janeiro

Sem alterações

Já o Como te Lhamas, que desfila no domingo no bairro Saudade, na zona Leste de BH, optou por manter o trajeto inicialmente definido. O grupo fará o desfile na rua Belém, a cerca de um quilômetro do rio Arrudas.

Vocalista e organizadora do bloco, Laura Lopes disse que a via não tem histórico de alagamento e o percurso a ser feito é pequeno. “O ribeirão não oferece risco, mas vamos ficar de olho na previsão do tempo. Se viermos a cancelar a festa, será porque é ruim sair com o bloco embaixo de um temporal”, disse.

Até 1º de março

De acordo com ela, as autoridades concordaram com a decisão. Além disso, a Belotur informou que, durante a reunião com os grupos, ficou definida a possibilidade de suspender o desfile caso chova muito forte. 

A autarquia destacou que, apesar de o esquema de monitoramento ter sido criado em 2020, a restrição de cortejos em locais com histórico de inundações já é realizado há alguns anos.

O acompanhamento da meteorologia e os trajetos dos blocos será feito até 1º de março, quando a festa momesca será oficialmente encerrada.

Nesse período, reuniões com os foliões serão convocadas em caso de necessidade, para avaliar alterações nos trajetos, frisou a Belotur.