Uma cidade deserta, com população em isolamento social para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus. Essa era a expectativa dos governos estadual e municipal, mas, em Belo Horizonte, não vingou. 

Nesta quarta-feira (18), quando a capital entrou oficialmente em quarentena - fato inédito na história da cidade -, as escolas não abriram as portas, os espaços culturais e parques estão fechados, mas o vai e vem de pessoas no Centro permanece intenso. 

A auxiliar de cozinha Amanda Gonçalves, de 34 anos, foi uma que se viu “forçada” a não seguir as recomendações. “Tenho que trabalhar e, por ser em lanchonete, que não fecha, não fui liberada do serviço”, explicou. 

Alguns consideram a medida de isolamento exagerada. Caso do pintor Alexandre Antunes, de 50. “Se todos vamos pegar o vírus, que pegue longo e já fique imune”, declarou enquanto percorria as ruas do Centro nesta manhã. 

Precaução 

Na terça-feira (17), o prefeito Alexandre Kalil usou as redes sociais para clamar para que os belo-horizontinos permaneçam em casa e só deixem o isolamento em caso de extrema necessidade. “Não matem seus pais ou seus avós”, apelou para conscientizar a população sobre a gravidade da doença nos idosos. 

O isolamento sugerido pela PBH, que esvaziou os prédios públicos, faz parte de uma série de medidas de proteção ante o avanço inexorável da Covid-19. 

Números 

A pandemia fez pelo menos 14 vítimas em Minas, sendo que cinco são de BH. A metrópole, inclusive, já registra transmissão comunitária da doença, que é quando um paciente infectado que não esteve nos países com registro da doença transmite o vírus para outra pessoa, que também não viajou.

No Brasil, conforme o Ministério da Saúde, são 291 casos confirmados e 8.819 suspeitos. No mundo, a pandemia superou a barreira de 6 mil mortes e 160 mil infectados.

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