O estoque da AstraZeneca para aplicação da segunda dose contra a Covid está em falta em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em alguns casos, moradores aguardam há mais de uma semana para completar o ciclo vacinal. O desabastecimento é reflexo do atraso de insumos e descumprimento do plano nacional, alega o Ministério da Saúde.

A falha também ocorre Brasil afora. Nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, o atraso obrigou as prefeituras a administrar o reforço com a Pfizer. Em Minas, no entanto, não há previsão para aplicação de imunizantes de laboratórios distintos para a segunda dose. Dessa forma, as pessoas terão que aguardar a normalização.

Até o momento, pelo menos quatro municípios da Grande BH enfrentam a dificuldade. Santa Luzia, Itaguara e Capim Branco não têm reserva da AstraZeneca. Em Contagem, há desabastecimento, e a aplicação está comprometida.

Diante da escassez, quem já deveria ter tomado a segunda dose reclama da demora. Gestora de uma escola de idiomas em Santa Luzia, Thatielli Araujo, de 34 anos, estava com o reforço previsto para 6 de setembro. A jovem já foi em dois postos de saúde da cidade, mas perdeu viagem. 

“Uma das atendentes me disse que as doses chegaram às 10h de hoje (ontem), mas às 11h já tinham acabado, e que não tinha previsão. Ela sugeriu ainda entrar em contato com o posto de saúde todos os dias pela manhã para consultar disponibilidade”, disse. 

Alerta

A situação em Minas pode piorar, caso a distribuição não seja restabelecida. Alguns municípios informaram que precisam de novas remessas. Caso de Belo Horizonte, Ibirité e Caeté.

A prefeitura da capital disse que não há atraso da segunda dose da AstraZeneca para os grupos já convocados, mas que aguarda novas entregas para concluir a vacinação de outros públicos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, caso ocorra alguma falta, “será aplicada a vacina que for destinada pelo Ministério da Saúde, observadas as orientações técnicas vigentes”.

Insumos

Desde 27 de agosto não há distribuição da AstraZeneca por parte da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pela produção do imunizante no Brasil. O intervalo entre as entregas, segundo a instituição, ocorreu porque os lotes de agosto do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), importado para a fabricação do imunizante, só chegaram nos dias 25 e 30 do mês passado.

Por nota, a Fiocruz informou que novas remessas devem ser liberadas a partir de hoje, e que os quantitativos, assim como as datas de entrega, serão informados à medida em que ocorrerem as liberações. “As vacinas já entregues e a previsão para este mês de cerca de 15 milhões de doses não indicam escassez de vacinas”.

Governo federal

O Ministério da Saúde informou que “não deve quantitativo de segunda dose das vacinas Covid-19 a nenhum estado brasileiro”. Segundo a pasta, alterações feitas por governos estaduais e municipais no plano nacional acarretam nessa falta.

Ontem, em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reforçou que a responsabilidade é dos estados e prefeituras.

“Isso não é uma aposta de corrida de Fórmula 1, é uma campanha de imunização, que tem sido feita com muito sucesso. Eu falo para os gestores que eles sigam o PNI. Se seguir, nós, juntos, vamos conseguir fazer uma campanha consciente”, afirmou, em Brasília.

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