Com a bola rolando há 18 dias pela Copa do Mundo, a presença de turistas estrangeiros e nacionais ainda não emplacou nas cidades históricas mineiras. Segundo representantes de bares, hotéis e restaurantes de Ouro Preto, Tiradentes, São João del-Rei e Diamantina, na Região Central, a procura por esses destinos tem sido pontual e aquém das expectativas para o Mundial.
 
Nesses locais, o movimento registrado neste mês é considerado normal para o período de férias. “Ainda não deu para sentir a diferença, acredito que o impacto do evento seja mais percebido em Belo Horizonte. Aliás, estou até temeroso, porque, com a antecipação das férias escolares, a segunda quinzena de julho – que era a melhor temporada – deverá ser fraca”, afirma Philipe Passos, gerente do Hotel Colonial e do restaurante Bené da Flauta, em Ouro Preto. 
 
Na agência de turismo receptivo Ouro Preto Travel, a Copa também não teve boa repercussão. O diretor da empresa, Pedro Paulo Pinto, avalia que o público que visita a cidade prefere se virar sozinho e economizar. “São pessoas que utilizam pouco o serviço das operadoras. Geralmente, alugam carros e gastam R$ 10 em um prato feito”.
 
Sossego
 
Já em Tiradentes, a movimentação tem ficado por conta das pessoas que querem fugir do agito da capital em dias de jogos.
 
“Esperávamos mais gente, mas isso não aconteceu. Nem mesmo os moradores da cidade têm vindo para assistir às partidas. Temos visto é um pessoal que mora em BH querendo ficar longe da lotação da capital”, diz a gerente do restaurante Delícias de Minas, Leni Costa.
 
A esperança, agora, é a de que haja mais movimento a partir de hoje, um dia após o confronto entre Brasil e Chile, que aconteceu no Mineirão. Em alguns estabelecimentos do interior, a aposta é que tanto brasileiros quanto chilenos aproveitem o fim de semana para explorar pontos turísticos de Minas.
 
“Espero que os turistas passem por aqui hoje. A Copa não está sendo o que a gente esperava, mas conseguimos sentir algum impacto dela”, afirma o gerente do hotel Lenheiros, em São João del- Rei, Joel Dornelas.
 
Distância
 
Comumente procurada por visitantes em busca de cachoeiras e eventos tradicionais, como a Vesperata e o Carnaval, Diamantina ficou fora da rota dos turistas que desembarcaram em Minas para acompanhar o Mundial.
 
“Estamos distantes de Belo Horizonte e de outras cidades grandes. Para os municípios que estão mais próximos delas, fica mais fácil atrair esse público. Os estrangeiros que estão aqui são os que normalmente vêm nessa época do ano”, diz a gerente do hotel Montanha de Minas, Conceição Buttignol.
 
Atrações na capital
 
Na avaliação da responsável pelo setor de Turismo da Fecomércio-MG, Mariana Lima, as cidades históricas mineiras geralmente são o chamariz do Estado e, por isso, a maior parte dos turistas apenas passava por Belo Horizonte. Mas, desta vez, eles estão ficando na capital.
 
“O pessoal não esperava encontrar tantas atrações em BH. A maioria quer aliar o esporte à vida noturna e, se a capital atende às duas coisas, eles permanecem nela”.