A qualidade da água dos rios e demais corpos hídricos mineiros piorou em 2015 em relação ao ano anterior. Dados do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) revelam que o percentual de cursos d’água que apresentam contaminação por matéria orgânica e fecal, sólidos e nutrientes aumentou. Uma notícia que não dá ao Estado motivos para comemorar neste Dia Mundial da Água, celebrado hoje.

A quantidade de análises cujo Índice de Qualidade da Água (IQA) foi classificado como ruim subiu de 14%, em 2014, para 20% no ano passado. Como consequência, houve uma redução de amostras cujo IQA é considerado bom, que passaram de 39% para 35%, e daquelas consideradas médias, que eram 44% e agora são 43%. A análise avalia os resultados de nove parâmetros: oxigênio dissolvido, coliformes termotolerantes, pH, demanda bioquímica de oxigênio, nitrato, fosfato total, variação da temperatura da água, turbidez e sólidos totais.

Segundo o Igam, o principal motivo para a piora verificada, principalmente no primeiro trimestre de 2015, foi o aumento no volume de chuvas. “Isso traz uma contribuição pelo carreamento dos materiais que estavam lá depositados e, consequentemente, com que haja o aumento da piora dos índices. A chuva é um fator muito importante”, afirma o diretor de Regulação e Controle do Igam, Marley Caetano de Mendonça.

A chuva leva lixo, poluentes, fuligem, dentre outros, para a calha dos rios, piorando a qualidade da água e expondo a população a riscos de doenças.

Contraponto

Uma análise questionada pelo ambientalista Marcus Vinícius Polignano, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas e coordenador-geral do Projeto Manuelzão. Para ele, a queda da qualidade da água em Minas se deve, entre outros fatores, à redução do índice pluviométrico registrado em 2015. 

“Com a falta de chuva, os rios tiveram vazão menor. Com a concentração cada vez maior de poluentes, faltou água e sobrou sujeira nos cursos d’água. Os rios dependem muito de uma boa vazão para diluir a carga poluidora”, destaca.

Mais um vilão

A chuva, seja a falta ou excesso dela, não é o único motivo para a piora no índice de qualidade da água dos rios e demais corpos hídricos em Minas. Outro vilão, segundo a análise do coordenador-geral do Projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano, é a grande carga de esgoto despejada nos rios mineiros. 

“Essa carga é intensa, por exemplo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde 30 a 40% do esgoto vão direto para os cursos d’água, sem passar pelas estações de tratamento”, afirma. Embora reconheça avanço no tratamento de resíduos domésticos nesta parte do Estado, o ambientalista ressalta que o processo precisa ser complementado. 

Por causa da carga de esgoto sem tratamento na RMBH, Polignano aponta o rio das Velhas como o pior em qualidade da água. “Já produzimos alguns avanços, mas precisamos completar o ciclo do tratamento de esgoto. O rio das Velhas é o principal poluidor da Bacia do São Francisco”, lamenta. 

A Copasa foi procurada para falar sobre o assunto, mas não se pronunciou sobre a situação até o fechamento desta edição.