Um aparelho que calcula níveis de sonolência de motoristas, pioneiro no Brasil e no mundo, foi testado pela primeira vez nesta quinta-feira (13) nas estradas mineiras. O Sonômetro mediu a fadiga de pelo menos 30 pessoas que transitavam pela na BR-381 durante esta manhã. Os números são alarmantes: 80% dos motoristas estavam acima do nível de sono adequado para dirigir, afirma o professor e pesquisador da UFMG responsável pelo estudo, Marco Túlio de Mello, diretor do Centro de Estudos Multidisciplinar em Sonolência e Acidentes.

A ação ocorreu no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Betim, no KM 499 da BR-381, das 8h30 às 11h30. A testagem foi realizada pela primeira vez no Brasil, em uma parceria entre a PRF e a equipe de professores e estudantes da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG, responsáveis pelo instrumento.

Os motoristas vistoriados na operação policial participaram da atividade e puderam ter os níveis de sono e cansaço calculados. Segundo Marco Túlio, o Sonômetro consegue os resultados medindo o desequilíbrio das pessoas em uma balança. Os voluntários sobem na plataforma de força e a equipe observa o equilíbrio deles. A partir destes dados, processados em um software, é possível calcular a fadiga e os riscos de provocar um acidente. 

Mais chances de acidentes

O nível máximo de sono indicado em que uma pessoa ainda está em condições de dirigir é 20,7 nas indicações do aparelho. Mas, conforme Marco Túlio, muitos motoristas ultrapassam os limites. "Hoje mesmo muitas pessoas vão trabalhar o dia inteiro e depois dirigir em viagens à noite para aproveitar o feriado. E o sono pode ser tão perigoso quanto a bebida. Os estudos mostram que se dirigir após passar mais de 19 horas acordado é como se a pessoa estivesse bêbada”, explica Marco Túlio. 

De acordo com o pesquisador, os riscos de um acidente de trânsito aumentam quando o motorista pega a estrada após trabalhar mais de 9 horas seguidas. Caso a jornada ultrapasse as 12 horas, as chances de um acidente duplicam e podem até triplicar se a atividade durar mais de 14 horas.

Aplicação

O aparelho será testado em outras rodovias federais em território mineiro por cerca de 30 dias. A intenção, conforme o pesquisador, é medir os níveis de fadiga de cerca de 3 mil pessoas para validar os resultados. “A ideia é a que a PRF possa começar a utilizá-lo com frequência e que a preocupação com o sono passe a fazer parte da rotina de qualquer condutor”, diz o professor.

Tanto a PRF quanto o pesquisador afirmam que a testagem de motoristas com o Sonômetro tem função educativa, para reforçar a importância do descanso em viagens longas, mas reconhecem que, no futuro, ele possa ser incorporado à legislação. “O sono é uma das principais causas de acidentes nas rodovias, então seria muito bom se nós tivéssemos um instrumento que pudesse medir o cansaço das pessoas”, explica o assessor de imprensa da PRF, Aristides Júnior.

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