O governador Fernando Pimentel determinou a abertura de uma sindicância para apurar ação policial em protesto de professores da educação infantil, ontem, na capital. Reivindicando equiparação salarial com os profissionais do ensino fundamental, os docentes anunciaram greve por tempo indeterminado. 

Após assembleia na Praça da Estação, no hipercentro, eles seguiram para a sede do Executivo municipal, onde fecharam a avenida Afonso Pena por cerca de duas horas.
Para a dispersão dos participantes do ato, a Polícia Militar (PM) usou bombas de efeito moral, granadas de fumaça, jatos d’água e até spray de pimenta. Quatro manifestantes foram presos e, segundo a corporação, não houve feridos.

Conforme o comandante de Policiamento Especializado, Giovanne Silva, a ação da polícia foi técnica e obedeceu o protocolo padrão para esse tipo de situação. “Mesmo depois do fim do prazo combinado para desobstrução da via houve tentativas de negociação. Fizemos o uso moderado da força”, afirmou.

“A prefeitura foi avisada (sobre o movimento) e organizou, junto com a BHTrans, o espaço para que os manifestantes viessem. Lamentavelmente, contrariando os interesses dos professores, o sindicato promoveu o fechamento total de uma das principais avenidas de Belo Horizonte. Foi uma ação premeditada, política”, disse o prefeito Alexandre Kalil durante entrevista coletiva.

De acordo com o governo de Minas, se constatado excesso na força policial, os responsáveis serão punidos.

Reajuste

Segundo a prefeitura, 27 Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis) fizeram adesão total à greve dos professores. Os demais aderiram parcialmente ao movimento. Atualmente, são 131 estabelecimentos de ensino do tipo, 31 escolas municipais de educação infantil e 30 instituições de ensino fundamental que também têm turmas infantis.

A secretária municipal de Educação, Ângela Dalben, afirmou que o aumento salarial exigido pelos professores da categoria não será atendido. Segundo ela, a medida “é impossível” devido a limitações financeiras. 

Projeto de Lei

A melhoria salarial para os professores da educação infantil da capital mineira depende da aprovação do projeto de lei 442/2017, que tramita na Câmara Municipal, de acordo com o secretário Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, André Reis.

Na proposta, os docentes com nível superior poderão subir até três níveis na carreira e ter um ganho de 15% no salário. Reis informou, ainda, que os valores médios pagos a professores com carga horária de 45 horas semanais atualmente são R$ 3.409,05, para ensino infantil, e R$ 7.522,39, para o fundamental.