A rua da Bahia lidera o aumento nos acidentes de trânsito na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Nos primeiros sete meses deste ano, foram 74 batidas, atropelamentos e outros registros, 48% a mais do que o mesmo período de 2018. Na área, dos dez corredores de tráfego campeões em ocorrências, apenas a avenida Alfredo Balena apresentou redução nos números.

O crescimento na regional supera a média das demais localidades da cidade, conforme levantamento do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran). A corporação não informou as principais razões para o cenário nem os pontos mais críticos em cada via. Porém, circulando pelos trechos, a reportagem flagrou dezenas de exemplos de imprudência por parte de motoristas, motociclistas e pedestres. 

No cruzamento da rua da Bahia com Afonso Pena – segundo corredor com mais acidentes no centro – a travessia de quem está a pé é uma missão de risco. Com menos de 20 segundos para caminhar de uma calçada à outra, o corre-corre dos transeuntes é constante.

A todo momento é possível ver condutores buzinando para pessoas que ainda estão na rua quando o semáforo abre para os veículos. Da mesma forma, muitos caminhantes ignoram o perigo atravessando fora da faixa ou com o sinal fechado para eles.

“É assim o dia inteiro e piora nos horários de maior movimento. O semáforo abre rápido demais para os carros e a pessoa é surpreendida. Há uns dois anos, um rapaz morreu atropelado por um ônibus no meio dessa faixa de pedestre”, relata Mara Campos, proprietária de uma lanchonete em frente à travessia, que funciona há quase uma década no local.

A poucos metros dali, na Praça 7, as cenas se repetem. Na Afonso Pena, muitos pedestres também atravessam a avenida fora da faixa, aproveitando a fila de veículos formada quando o fluxo está parado. O risco de atropelamentos se torna ainda maior devido aos motociclistas que trafegam entre as fileiras de automóveis.

“É difícil apontar com precisão o motivo para o crescimento dos acidentes, mas, de forma geral, o fator necessário para que haja problemas é o adensamento de pedestres e veículos. Isso nós podemos presenciar nas principais ruas do centro de BH”, opina o consultor de trânsito e transporte Osias Baptista.

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AGRAVANTE – Fluxo intenso e motos em corredores também oferecem riscos na Andradas

Por nota, a BHTrans informou que o tempo de semáforo programado na região é calculado com base em estudos técnicos. “A velocidade média de um pedestre durante uma travessia é de 1,2 metro por segundo, mas a BHTrans adotou uma velocidade de 0,9, o que proporciona maior tempo para realizar a travessia”.

Choques de veículos contra objetos fixos crescem no Centro

Os choques de veículos contra objetos fixos – árvores, postes, muros e calçadas – cresceram 52%, nos primeiros sete meses do ano, na região Centro-Sul. Foram 741 batidas, de janeiro a julho, contra 487 contabilizadas no mesmo período de 2018, segundo o BPTran.
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PERIGO – Pedestre atravessa fora da faixa alheia à circulação de veículos na rua Curitiba
 
Já o número de colisões traseiras caiu de 838, no ano passado, para 710 em 2019 – redução de 15%. Da mesma forma, os atropelamentos também registraram queda de 4%.
 
Obras
 
De acordo com a BHTrans, várias obras para priorizar a segurança dos pedestres têm sido realizadas na cidade desde 2013, sobretudo no hipercentro. A pasta afirma que as intervenções fazem parte do projeto Mobicentro.
 
“Ele tem como objetivo principal melhorar a mobilidade na região e a sua principal prioridade é garantir melhores condições de segurança e acessibilidade para os pedestres. São ilhas de refúgio, semáforos para pedestres, rebaixo de passeios, aumento de tempo semafórico para travessia de pedestres, entre outras intervenções”, informou o órgão, por nota.
 
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