“Crônica da morte anunciada” foi como o advogado Leonardo Amarante, que atende 9 mil vítimas do desastre de Mariana, classificou o novo rompimento que atingiu outra cidade mineira nesta sexta-feira (25). Desta vez, a tragédia aconteceu na cidade de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte e a estimativa do prefeito da cidade, Avimar de Melo Barcelos (PV) é de que tenham morrido pelo menos 50 pessoas; bombeiros confirmam 200 desaparecimentos.

“Esse é o resultado da impunidade pelo que aconteceu em Mariana, se tivessem sido tomadas as providências corretas, certamente haveria mais cuidado das empresas em fiscalizar as barragens”, desabafou. Nas palavras do advogado, “o que se vê hoje é o contrário, as empresas agem como se nada tivesse acontecido”.

Ação judicial

Assim como o que acontece com as vítimas do rompimento da barragem de Fundão, Amarante aconselha as vítimas e familiares de vítimas de Brumadinho a acionarem a Justiça para que os danos da tragédia sejam reparados. “É preciso que se busque reparação pelos danos materiais e por todas as outras perdas que podem ter sido causadas, porque mesmo que seja difícil, temos que buscar punição. Enquanto houver essa leniência, as coisas vão continuar do mesmo jeito.

União

Além de Leonardo Amarante, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), onde também estão envolvidas vítimas da tragédia de Mariana, manifestaram indignação com o rompimento em Brumadinho. “Mais uma vez, o lucro está acima de vidas humanas e do meio ambiente”, afirmou o movimento, em nota.

Segundo o divulgado pelo MAB, a entidade já denuncia desde a tragédia de Mariana o modelo atual de mineração. “Há apenas 3 anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, mais um crime contra a vida é fruto desse modelo que apenas provoca tragédias anunciadas”.

Entenda

A notícia do rompimento da barragem Córrego do Feijão chegou no início da tarde desta sexta-feira (25) e, segundo o Corpo de Bombeiros, há relatos de mortes no local. Conforme os militares, o rompimento ocorreu próximo a Mário Campos e as proporções da destruição ainda são desconhecidas. 

A Polícia Militar destacou que helicópteros da corporação também foram deslocados para a região da barragem. Equipes da Defesa Civil municipal também foram deslocadas para a área da barragem.

Uma força-tarefa do Estado de Minas Gerais já está no local do rompimento. O objetivo é acompanhar e tomar as primeiras medidas. O governo determinou a formação de um gabinete estratégico de crise para acompanhar de perto as ações. 

O Ministério da Integração Nacional informou que o secretário nacional de proteção e Defesa Civil, Coronel Alexandre Lucas - ex-coordenador da Defesa Civil de Belo Horizonte -, está se deslocando para Brumadinho. De acordo com a assessoria de imprensa da pasta, o gestor estava em uma agenda oficial em Maceió, mas cancelou os compromissos.

O diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cenad), Armin Braun, também irá ao local do acidente, segundo o ministério. 

Leia a nota da Vale:

"A Vale informa que, no início desta tarde, ocorreu o rompimento da Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho (MG). A companhia lamenta profundamente o acidente e está empenhando todos os esforços no socorro e apoio aos atingidos.

Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas. Parte da comunidade da Vila Ferteco também foi atingida.

O resgate e os atendimentos aos feridos estão sendo realizados no local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. Ainda não há confirmação sobre a causa do acidente.

A prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais".

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