Em clima de nostalgia, funcionários, antigos frequentadores e amigos do Belo Horizonte Othon Palace se despedem do hotel de luxo mais antigo da capital mineira neste sábado (17). A festa, organizada por iniciativa de hóspedes e pessoas que já trabalharam no local, teve início com uma animada feijoada no restaurante Varandão durante à tarde. 

Inaugurado em 1978, o Othon terá todos os 295 leitos ocupados durante o saudoso adeus. Esta é a última feijoada que o repórter fotográfico e empresário do ramo alimentício Valdez Maranhão, de 62 anos, poderá desfrutar no hotel que sediou 12 encontros da “Feijoada do Maranhão”, evento feito por Valdez desde 1991. 

“Sempre aluguei o espaço do Othon para poder fazer festas, fiz muitas amizades nesse tempo. Desta vez estou aqui só para comer e rever pessoas que não encontrava há anos”, conta.

Ele afirma que, em 27 anos como frequentador do espaço, nunca viu o hotel tão lotado. “A área da piscina está toda cheia. Vieram até pessoas de outros estados quando descobriram que o Othon ia fechar. É uma perda muito grande para Belo Horizonte, ainda mais porque só tenho recordações maravilhosas da convivência aqui”, diz. 

O misto de alegria e tristeza pelo fechamento da hospedaria também tomou conta da festa do consultor hoteleiro José Carlos Rodrigues Gomes, de 64 anos, que começou no estabelecimento como chefe de fila de restaurante, há três décadas. A trajetória de trabalho tornou o hotel da capital o ‘xodó’ de Gomes. 

“Tenho muito orgulho da transformação profissional que o Othon me trouxe, sou um ex-funcionário que cresceu e evoluiu. Estamos perdendo um ícone da hotelaria nacional”, afirma Gomes, que trabalhou nos últimos dez anos como gestor hoteleiro em Pernambuco. Ele reforça que o espaço foi uma grande escola para camareiras, garçons, governantes executivos: “aprendemos tudo aqui e somos muitíssimo gratos à rede”.

Para Maarten Van Sluys, organizador da despedida, a sensação principal é de um fim de semana comum, já que a grande maioria dos hóspedes comuns se quer sabem que a partir de amanhã o hotel fecha as portas. Para os funcionários, principalmente os mais antigos, o sentimento é o "pior possível e para alguns ainda não caiu a ficha", principalmente porque eles não têm muitas informações sobre o fechamento. 

"Entre o nosso grupo também não é uma situação normal, mas foi um bom momento de reencontro. Os funcionários se esforçaram para não parecer que foi a última feijoada, mas é claro que entre todo mundo rondava a pergunta: 'o que é que vai virar aqui'", conta. 

A programação da despedida conta ainda com happy hour às 18 horas e se estende até domingo (18), com café da manhã com exposição de fotos dos próprios convidados e almoço. 

Destino

O burburinho da festa, segundo os convidados, é sobre qual será o destino do prédio que já abrigou personalidades como o piloto Ayrton Senna e o músico Roberto Carlos. “Está todo mundo curioso para saber quem vai ficar com o hotel e se continuará a ser uma hospedaria”, diz Maranhão. 

Os próximos passos são um mistério até para o gerente geral da unidade de Belo Horizonte, Márcio Alves. “Ainda não sabemos o que vai acontecer”, afirma. Quem esperava por uma grande revelação durante a confraternização deve continuar apenas nas especulações que, convenhamos, tornam a despedida ainda mais emocionante.