A tecnologia torna-se grande aliada na identificação e combate a focos de incêndio. Sistema de monitoramento desenvolvido por acadêmicos e empresários, em Belo Horizonte, possibilita que usuários da internet identifiquem sinais de fogo e de fumaça em locais onde haja câmeras de vídeo transmitindo imagens em tempo real e, imediatamente, acionem serviços especializados. 

O algoritmo de reconhecimento de padrões, desenvolvido pela equipe do professor Hani Camille Yehia, do Departamento de Engenharia Eletrônica da UFMG, foi elaborado para uso em câmeras que serão instaladas ao longo de 10 mil km de linhas de transmissão de energia da Cemig em 13 estados.

Ele pode ser utilizado também em outros sistemas de vídeo, segundo o diretor-executivo da Enacom, Douglas Alexandre Gomes Vieira. A empresa é parceira no desenvolvimento do algoritmo, considerado o coração desse sistema. Em site criado pela Axxiom para o programa, será possível acompanhar as imagens a qualquer hora do dia.

O trabalho de pesquisa recebeu recursos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e contou com a participação de acadêmicos da Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). O projeto de monitoramento ambiental utiliza imagens reais das áreas cobertas e será usado pela Cemig como “contrapartida para atravessar reservas e parques” ao longo das linhas de distribuição de energia.

O projeto piloto, implantado com câmeras instaladas no 5º andar do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-Tec), comprovou sua eficácia no dia 5 de outubro, quando detectou fogo na mata do campus da UFMG, às margens da avenida Carlos Luz. Na atual fase do projeto, as primeiras câmeras em linhas de transmissão começam a ser instaladas na subestação Bom Sucesso, da Cemig, no bairro Betânia (Oeste). Gradualmente, o equipamento será colocado em locais afastados.

FOCOS

Somente nessa terça, até o fim da tarde, 21 focos de incêndio foram registrados na Grande BH. O caso mais grave ocorreu nas proximidades da Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, às margens da BR-040.

O combate ao fogo partiu de 20 brigadistas do Retiro do Chalé e de outros condomínios. No início da tarde, dez bombeiros chegaram ao local e controlaram o fogo que ameaçava residências. “Tem de ter preparo físico para virar a noite apagando fogo. Todo ano é isso”, disse Hélio Teixeira Almeida, de 47 anos, há 12 trabalhando como brigadista.

Fogo devasta Serra do Cipó

Um incêndio de grandes proporções devastou a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Alto do Palácio, no cinturão de proteção do Parque Nacional da Serra do Cipó, em Santana do Riacho, na região Central do Estado. De acordo com Jorge Luiz Davis, proprietário da RPPN, a reserva, de 300 hectares, foi atingida entre sábado e nessa terça-feira (14). “Foi o maior desastre ambiental da Serra do Cipó”, lamentou Davis. 

Segundo ele, ainda no sábado, o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas nenhum militar compareceu ao local.
Por sua vez, a assessoria da corporação informou que os militares tentaram retornar a ligação dele, mas não obtiveram êxito. “Na segunda-feira, o Corpo de Bombeiros foi acionado para ir a Conceição do Mato Dentro, naquelas proximidades, mas, novamente, quando tentamos retornar a ligação, não tivemos êxito”.