Em menos de sete meses em 2019, a apreensão de cocaína no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, já é 81% maior do que o número registrado em todo o ano de 2018. O número neste ano já é maior do que os de 2017 e 2018 somados. Em 2019, a Polícia Federal já apreendeu 44,9 kg da droga, contra 24,7 kg em 2018 e 18 kg em 2017.

O aumento nos ilícitos apreendidos no terminal vem sendo observado desde 2016, primeiro ano completo em que a Polícia Federal executou estratégias de inteligência mais especializadas no combate ao tráfico nos aeroportos. Segundo o delegado Flávio Braga, chefe da PF no aeroporto de Confins, o trabalho integrado de uma rede de aeroportos, que inclui agentes federais, a Interpol e polícias internacionais permitiu maior taxa de sucesso nas apreensões.

O aeroporto de Confins conta com uma delegacia especializada dentro de suas dependências, onde também atuam dois cães farejadores e agentes especialistas na estrutura do aeroporto, no perfil dos passageiros e em investigações de redes de tráfico que utilizam os voos comerciais no transporte de entorpecentes.

De acordo com Braga, o destino mais comum da droga é a Europa. "A cocaína vem de países produtores, como Peru, Bolívia e Colômbia, atravessa as fronteiras no Norte e Centro-Oeste do país por terra e é levada para a Europa num estado puríssimo", detalhou. A droga mais pura encontrada com passageiros no aeroporto de Confins ainda não está pronta para o consumo e é misturada a outras substâncias na Europa, segundo completou o delegado.

Atuação

A Polícia Federal começou em 2015 a trabalhar em estratégias integradas de combate ao tráfico nos aeroportos e, conforme Flávio Braga, o trabalho tem surtido efeito não somente em Minas, mas em terminais em todo o país. "Por dia, passam de 30 a 35 mil pessoas no aeroporto de Confins, e sem essa troca de informações e o trabalho de agentes especializados não teríamos condições de apreender o que apreendemos", comemorou.

Em Confins, os agentes contam com um canil e equipamentos de alta tecnologia para ajudar no trabalho de identificação. Um equipamento de raio-x, por exemplo, identifica materiais orgânicos dentro de bagagens, que podem ser drogas. A inspeção, no entanto, não segue um protocolo padrão, mas reúne as ferramentas necessárias em cada situação, segundo explicou Braga. Nesse sentido, o delegado classifica como fundamental o trabalho especializado dos agentes da PF nos aeroportos. "Eles entendem a rotina, a estrutura do aeroporto, conhecem os recursos que podem ser usados e o convívio diário permite que eles tracem perfis de passageiros, o que é essencial para a abordagem", comentou.

A atuação dos dois cães alocados no canil da PF no aeroporto de Confins também é essencial. Até o momento, 10 pessoas já foram presas tentando transportar drogas pelo aeroporto de Confins.

Outras drogas

Além da cocaína, outras drogas também são frequentemente apreendidas no aeroporto em Confins. A que registrou mais apreensões foi o skunk, variação da maconha com o teor mais alto de THC. De 2016 até junho de 2019, foram apreendidos 84,5 kg da substância. Segundo Braga, os destinos mais frequentes da droga são as capitais do Nordeste e o Rio de Janeiro. 

Os mesmos destinos do skunk também são os mais frequentes entre quem tenta levar maconha e haxixe pelo aeroporto de Confins. No mesmo período, a PF apreendeu 46,7 kg de maconha e 52 kg de haxixe.

Já cidades de Santa Catarina são os destinos mais comuns de drogas sintéticas, como o ecstasy, da qual já foram apreendidos 133.100 comprimidos desde 2016.

Em BH, a maioria dos voos que registram apreensão de drogas estão em conexão no aeroporto, ou seja, o destino delas não é a capital mineira e nem o Estado.

"A aviação civil é um meio muito rápido de transportar drogas e é usado com mais frequência pelos traficantes, embora transporte quantidades menores. As pessoas que flagramos levando essas drogas são apenas mulas angariadas pelos donos das substâncias, que se aproveitam da situação de desespero de muita gente e oferecem algum tipo de recompensa", comentou o delegado, que lembra que o crime nesses casos, de tráfico de drogas, pode dar até 15 anos de cadeia e a pena pode ser ainda maior em caso de tráfico internacional de drogas.