Trinta e nove tremores de terra foram registrados em Minas Gerais neste ano. O número é 25% maior se comparado ao mesmo período de 2015 – 1° de janeiro a 2 de maio. Técnicos do Observatório Sismológico, da Universidade de Brasília (UnB), estão no Estado para avaliar os recentes abalos registrados no território.

Ontem, uma trepidação atingiu Esmeraldas, na Região Metropolitana de BH. Por volta de 6h20, moradores relataram o fato nos bairros Santa Cecília, São Francisco, São Pedro, Floresta Encantada e Centro. Outras cidades no entorno também perceberam a movimentação de terra, como Betim, Contagem, São José da Lapa, São Joaquim de Bicas, Brumadinho e Juatuba.

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Alerta

Apesar de a quantidade de ocorrências em Minas despertar atenção dos técnicos da UnB, não é possível comparar os dados com os demais estados, informou o professor George Sand França. Segundo ele, a região Nordeste do país é a que concentra a maior parte dos fenômenos e as estatísticas oficiais da localidade não estão fechadas.

A recorrência mineira, no entanto, demanda novas análises, sem data para serem concluídas. Os registros podem ser classificados como sismos leves ou moderados. “Não podemos afirmar que são terremotos, pois não há estrago”.

De modo geral, explica o especialista do Observatório Sismológico, os tremores ocorrem devido à movimentação frequente das placas tectônicas. “A terra é muito dinâmica. Atrito e tensões são comuns e, quando isso acontece, ocorrem as trepidações”.

A geógrafa Eveline Sayão, também do Observatório Sismológico da UnB, reforça que a população não precisa se preocupar. “São abalos de baixa intensidade. Não há motivo para alarde. São fenômenos comuns”.

Esmeraldas

O Corpo de Bombeiros e a prefeitura da cidade da Grande BH não registraram ocorrências relacionadas ao abalo sísmico, de 3,7 graus na Escala Richter - considerado pela UnB como o maior registrado em Minas neste ano. Pela internet, várias pessoas usaram as redes sociais para comentar o assunto. No Twitter, a palavra “Betim” figurou nos Trending Topics. 

Funcionária da administração pública municipal, Patrícia Cristina Rocha Ferreira disse que se assustou muito. Ela conta que estava dormindo em casa, no bairro Santa Cecília, próximo à BR-040, quando sentiu a terra tremer. “Levantei e achei que era um trovão, mas não estava chovendo. Só fui saber o que era mais tarde, quando liguei o som do carro e ouvi uma notícia”, conta ela, que é assessora de iluminação pública de Esmeraldas.

Morador do bairro Bom Retiro, em Betim, o supervisor técnico Marcus Vinicius Flausino Nobrega também percebeu o tremor de terra que teve Esmeraldas como epicentro. Ele estava dormindo no quarto do terceiro andar da casa, quando houve um forte estrondo acompanhado de uma trepidação.

“Pensei que era uma explosão. Os vizinhos saíram de casa preocupados. Eu nunca tinha visto nada igual”, disse Marcus Vinicius.