Moradores em situação de rua em Belo Horizonte poderão buscar auxílio em um novo abrigo, que será inaugurado na avenida Paraná, no Centro da capital. O imóvel que terá capacidade para acolher até 120 pessoas está em fase final de adaptação, mas ainda não teve a data de início do funcionamento divulgada pela Secretaria Municipal de Políticas Sociais . A região Centro-Sul é a que concentra, hoje, a maior parte da população de rua da capital: somente no local, vivem 63% dos cadastrados pela município.

Conforme a secretária de Políticas Sociais do município, Maíra Colares, a unidade será de permanência integral e os moradores poderão ficar no local durante o dia e não somente à noite, como ocorre na maioria dos abrigos. Muitas das pessoas virão, inclusive, do centro de acolhimento Tia Branca, que oferece 400 vagas no bairro Floresta. 

“Nós queremos priorizar a ida de moradores que têm emprego e uma vida organizada que estão em locais de pernoite hoje. Aí abriremos novas vagas em albergues já existentes da prefeitura”, disse. A secretária ainda reforçou que, desde o fim da década de 1990 não são criados novos centros de acolhimento na capital. Hoje, a cidade concentra cerca de 900 leitos de albergues. 

A população em situação de rua de Belo Horizonte apresentou um crescimento vertiginoso de 38% nos últimos meses. Em junho, o levantamento feito pela Secretaria Municipal de Políticas Sociais apontava que haviam 4.553 pessoas que se autodeclararam em situação de vulnerabilidade social. No entanto, o número viventes nas ruas da capital já chega a 6.287, como o Hoje em Dia mostrou em reportagem sobre as residências improvisadas pelos moradores.

"Nosso desafio é muito grande, principalmente tendo em vista a falta de investimentos nessa área. Mas estamos com uma proposta muito sólida tendo em vista tanto a expansão de vagas de acolhimento institucional, mas também outras iniciativas importantes, como ampliação do número de centros de referência para a população de rua e da equipe de abordagem social", afirmou Maíra. 

Problemas familiares

Os dados da secretaria mostram ainda que cerca de 30% das pessoas cadastradas saiu de casa devido a problemas familiares. Esse é um grande dificultador para que os cidadãos retomem o convívio com os parentes. “A possibilidade [de retorno para casa] existe, temos que oferecer e ampliar a retaguarda de atendimento para garantirmos mais oportunidades para que as pessoas saiam das ruas, mas a opção é também do indivíduo”.

Para capacitar a população, a secretária destaca que o município investirá em programas de formação técnica, como cursos de gastronomia e panificação. A prefeitura também contratará 15 arte-educadores e 8 pessoas com trajetória de vida nas ruas, além da equipe de assistentes sociais e psicólogos, para integrar a equipe de abordagem na regional Centro-Sul. Conforme Maíra, a medida fortalecerá e facilitará a criação de vínculos com as pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

“A retirada de pessoas não é um serviço que existe e nem pode existir. Nosso atendimento é para ampliar a possibilidade de garantir convivência dessas pessoas com a sociedade através da equipe de abordagem com educadores sociais”, afirmou.

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