A família de Aenderson Vieira Santos está viajando de Manaus para Belo Horizonte para ir à formatura do rapaz. A festa estava agendada para este sábado (15), e a turma de Pedagogia da Faculdade Pedro II estava terminando os preparativos para o grande dia. No entanto, na última quinta-feira (12), Aenderson e os outros 17 colegas que contrataram o serviço de cerimonial foram pegos de surpresa e viram o sonho escorrer pelo ralo: a empresa que iria realizar celebração informou, via Whatsapp, que não teria condições financeiras de arcar com a festa. 

Os formandos já haviam quitado o valor da cerimônia em 20 de fevereiro deste ano. Os R$57.600, divididos em 26 prestações, começaram a ser pagos à Saff’s Cerimonial e Eventos em dezembro de 2015. Três dias antes da festa, a turma recebeu a notícia inesperada de que não iria se formar da maneira acordada em contrato. 

“A responsável pelo cerimonial nos mandou uma mensagem no grupo de Whatsapp ontem, dizendo que não poderia fazer a festa porque não tinha dinheiro para fazê-la. Nós questionamos o que ela tinha feito com o pagamento e ela disse que poderíamos procurá-la legalmente”, conta Aenderson. 

Conforme o estudante, a Saff’s enviou a seguinte mensagem à comissão de formatura:

“Comissão boa tarde 
Preciso informar a respeito do nosso contrato de formatura
Foi realizado culto ecumênico e colação de grau sendo cumprido uma parte do contrato
Referente ao baile de formatura, não será possível realizar na data prevista do contrato devido à situação financeira do cerimonial, sendo necessário um acordo entre o cerimonial e vocês formandos para acertarmos a realização do baile em uma nova data de forma que ninguém saia prejudicado.
Preciso pedir desculpas a todos por se tratar de uma data tão especial e conto com a compreensão de todos vocês para que juntos possamos realizar o evento em uma nova data. 
Estou a disposição para esclarecimentos”

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Após calote, empresa diz que irá resolver na justiça

Após argumentação dos estudantes, a empresa disse que poderia resolver a questão na justiça. “Agora que vocês já foram para a defensoria e a imprensa vamos resolver na justiça, acionem a justiça, por favor”, diz o texto enviado por Whatsapp. 

O Hoje em Dia tentou repetidas vezes entrar em contato com a Saff’s Cerimonial e Eventos por telefone, mas não teve resposta da empresa. 

Problemas

Como alega o estudante, em janeiro os formandos perceberam que a empresa não havia pago nenhum dos fornecedores da festa. Os locais onde ocorreriam baile, culto ecumênico e colação de grau não haviam recebido o dinheiro para confirmar o agendamento. O buffet também não estava fechado. “Eu fui até o lugar onde seria o baile e eles me disseram que a Saff’s havia reservado o local, mas que não tinha pago a eles o valor. Até me perguntaram se a nossa festa tinha sido cancelada”, conta. 

A comissão de formatura se reuniu com uma representante da empresa em fevereiro e, segundo Aenderson, a companhia se comprometeu a realizar os pagamentos até o dia 8 de março. Para assegurar o combinado, os alunos dizem ter chamado a Polícia Militar e registrado boletim de ocorrência contra a empresa. “Ela disse que era pra gente ficar tranquilo, que iria resolver tudo e se comprometeu”, diz. 

O culto ecumênico e a colação de grau, previstos em contrato, foram realizados. Eles ocorreram nos dias 31 e 1º de abril, mas, segundo o estudante, não foram como o planejado. A turma contratou uma banda e, no local, segundo Aenderson, havia apenas uma pessoa realizando playback. Além disso, o missal (folheto para acompanhar a missa) foi entregue somente para os formandos e não para os convidados. 

A comissão procurou um advogado particular para orientações e também irá à Defensoria Pública de Minas Gerais. “Ele disse que podemos pedir o ressarcimento e até danos morais, mas nós só queríamos nosso dinheiro de volta, nosso direito resguardado. É um sonho que virou pesadelo. Alugamos vestido, terno e nos preparamos para nada”, completa o estudante.