O início do período chuvoso, que vai de outubro a março, traz a expectativa do aumento de casos de dengue e, agora, da nova ameaça do verão: a febre chikungunya, também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Até o momento, dois casos da doença foram confirmados em Minas e outros dez estão sob investigação. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) prepara campanhas publicitárias para alertar a população sobre o problema e reconhece que o número de registros deve subir.

“A chuva vai potencializar o número de vetores. Hoje, a gente tem o mosquito em depósitos que não precisam de chuva, como caixa d’água e vasos de planta. Quando chover, entram outros locais, como calha e lixo mal acondicionado. Por isso, há o receio de o número de casos aumentar, como acontece com a dengue”, explica a coordenadora do Programa de Controle Permanente da Dengue da SES, Geane Andrade.

Para evitar que isso aconteça, profissionais de saúde de 28 regionais do Estado estão sendo treinados, em um programa que termina nesta terça-feira (21) na capital. Mais de 300 médicos e enfermeiras foram preparados para identificar, notificar e dar o tratamento adequado.

Outra vertente que será reforçada para o combate à doença é a prevenção. As campanhas publicitárias, que começam a ser divulgadas a partir da semana que vem, falarão dos cuidados contra a dengue, mas também sobre a febre chikungunya. “Vamos trabalhar com os dois temas. A população precisa ser informada sobre os cuidados, os sintomas e quais os procedimentos a serem adotados”, afirma Geane.

Propagada pelo mosquito Aedes aegypti, sempre associado à dengue e à febre amarela, a doença exige o mesmo trabalho de prevenção. Como ainda não há uma vacina, cabe à população e aos gestores garantirem o controle do vírus. A população deve evitar o acúmulo de água e o poder público, manter equipes de controle em campo.

Por falta de informação e até pela opção do tratamento caseiro, em detrimento do diagnóstico, o número de casos de febre chikungunya em Minas pode estar subnotificado. “A gente sempre trabalha com essa possibilidade. Por isso, não esperamos a confirmação dos casos para fazer as ações. Há uma suspeita, fazemos a investigação e adotamos ações de controle do vetor ao redor”, diz Geane.

O primeiro caso confirmado da doença foi registrado em Matozinhos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Uma mulher de 48 anos começou a sentir os primeiros sintomas em agosto. Ela teria contraído o vírus dentro do Estado. O segundo caso, de uma mulher de 34 anos, foi divulgado nessa segunda-feira (20) pela SES. Ela mora em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, mas teria sido infectada na Venezuela. Segundo a secretaria, os dez casos sob investigação foram registrados em: Belo Horizonte, Contagem, Montes Claros, Viçosa, Pitangui, Ipatinga, Lavras e Varginha.

 

Em alerta contra a nova ameaça do verão