Belo Horizonte registrou em 11 dias mais de 60% do volume de chuva esperado para novembro em sete das nove regiões da capital. O cenário e a previsão de mais água nos próximos dias deixam a capital sob alerta de risco geológico pelo menos até domingo, sobretudo em áreas já ameaçadas por deslizamentos de terra e onde há estruturas que podem ceder devido ao encharcamento do solo. 

De acordo com a Urbel, mais de 1.500 moradias estão em áreas de risco geológico na cidade. O levantamento, atualizado pela última vez em 2019, mostra que estão concentradas em vilas e favelas, onde vivem mais de 370 mil pessoas.

A observação constante da estrutura das construções durante o período chuvoso, de outubro a março, é uma das medidas de prevenção de acidentes.

“Ao perceber alterações como trincas, infiltrações e rachaduras, as pessoas precisam evitar permanecer no local. O risco geológico tem como característica uma evolução abrupta e é difícil perceber o momento em que o acidente vai acontecer”, diz o subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Waldir Figueiredo Vieira.

O subsecretário adverte que o risco de desabamentos não é observado exclusivamente em construções feitas de forma irregular. 
“Todas as estruturas precisam passar por manutenções periódicas. Muitas vezes o acidente ocorre por obstrução do sistema de drenagem. Do começo do período chuvoso até agora (do início de outubro a 11 de novembro) já registramos 21 desabamentos de muro”, afirma.

O morador que perceber alterações indicativas de risco de desabamento ou dano à estrutura do imóvel deve pedir uma vistoria no local. De segunda à sexta-feira, das 8 às 17h, o agendamento é feito pelo telefone 3277 6409. Em outros períodos, a vistoria é solicitada à Defesa Civil pelo número 199.

Em casos de risco de acidente iminente, a família é removida da moradia de forma preventiva pela prefeitura. De acordo com o Programa Estrutural em Área de Risco (Pear), até 10 de outubro 161 famílias já tiveram de abandonar temporariamente o local onde vivem neste ano.

Temporais

As regiões de BH mais atingidas pelas chuvas em novembro foram Barreiro e Leste, tendo registrado 72% e 71% do volume esperado para o mês, respectivamente. Apenas na zona Norte o acumulado de chuvas não superou a metade da expectativa para novembro, marcando 48%.


No Barreiro, já choveu 72% do esperado para o mês; na região Leste, 71%; zona Norte e 
Venda Nova tiveram os menores registros
 

A previsão para os próximos dias é de que a chuva não dê trégua em BH. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a sexta-feira terá pancadas de chuva pela manhã e chuvisco durante a tarde. Para o fim de semana prolongado é esperado céu nublado com chuvas isoladas ao longo do dia. 

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