Moradores das comunidades evacuadas pela Vale após risco de rompimento da barragem na vila de Gongo Seco, em Barão de Cocais, protestam e pedem um encontro com representantes da mineradora na manhã deste sábado (9). Enquanto aguardavam o encontro em uma universidade particular da cidade, uma moradora se revoltou com a negativa de agentes da Defesa Civil estadual que não permitiu que os dois filhos dela participassem da reunião que aconteceria em uma sala. 

A confusão foi intensificada após outros habitantes da comunidade entrarem com cachorros para o encontro. A justificativa dos agentes da Defesa Civil é de que as crianças foram retiradas por medidas de segurança. Após a confusão, a população se dispersou no pátio da universidade e uma moradora, idosa, passou mal reclamando de falta de assistência da Vale. Segundo a mulher, ela e os familiares não receberam roupas, medicamentos e calçados. Outra queixa é referente a alimentação dos animais criados por ela na casa em que morava no povoado de Socorro. 

Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Maíra Gomes diz que falta diálogo da Vale com os moradores das áreas evacuadas. “Assim como fizeram em Mariana e Brumadinho, a Vale não informa a população de nada. Eles só querem saber os riscos aos quais estão expostos e se vão poder voltar para suas casas”, diz.

Por causa dos desentendimentos o policiamento foi reforçado na universidade.

Reunião

A reunião entre moradores e integrantes da Vale durou cerca de duas horas. No encontro, ficou definido que amanhã, após a inspeção da empresa alemã na barragem de Gongo Soco, uma nova rodada de negociações será marcada. Moradores deixaram a sede da universidade sem falar com a imprensa. Segundo uma mulher que mora na comunidade Socorro, que foi evacuada, houve um pedido para que o teor da conversa não fosse repassado a quem não mora no local. Questionada sobre isso e do que foi conversado na reunião, a mineradora negou qualquer orientação nesse sentido e disse, em nota que "foram explicados os detalhes dos procedimentos de segurança realizados, esclarecidas as dúvidas e acolhidas as demandas apresentadas pela comunidade." 

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) informou que vai oficializar uma denúncia contra a Vale no Ministério Público de Minas Gerais. “Vamos acionar o MP a respeito da coação e das ameaças que a Vale está fazendo com a população atingida. É bom lembrar que mais uma vez a empresa faz isso, não é uma ação de agora. Esta é forma de atuação que eles fazem desde Mariana, de dividir os atingidos e criminalizar o movimento social. Trancaram os moradores na sala de reunião e proibiram o acesso da população, da imprensa, ferindo o direito a informação e o direito organização popular”, informou.