Dois homens suspeitos de assassinar a mineira Ana Paula Feitosa dos Santos Braga, de 23 anos, no último dia 30 de janeiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos, foram presos em Cariacica (ES), no último sábado (22). Os detalhes da prisão foram esclarecidos pela Polícia Federal nessa quarta-feira (26).

Natural de Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Ana Braga foi morta estrangulada com o fio de um equipamento elétrico e teve o corpo enrolado em um edredom pelos suspeitos, segundo informações da polícia de Los Angeles. O crime teria acontecido no apartamento em que ela morava, na rua West 39th, e o corpo foi levado do imóvel embrulhado em edredom e segue desaparecido.

Os dois suspeitos são naturais do Espírito Santo e estavam hospedados na casa da jovem, que trabalhava como entregadora para uma empresa de aplicativos na capital californiana. Para prendê-los, a Polícia Federal (PF) precisou de apoio das polícias mexicana e norte-americana.

Segundo a PF, após o homicídio, os dois homens saíram de Los Angeles no carro dela e fugiram para Hot Springs, também na Califórnia. Lá, o corpo de Braga teria sido abandonado num contêiner de lixo. O trajeto, de cerca de 400 quilômetros, foi feito em pouco mais de duas horas.

Ainda no carro, os homens teriam viajado para o Estado de Oklahoma e depois de ônibus para o Texas, a fim de ludibriar a polícia. A fuga seguiu em uma travessia terrestre para o México, onde foram de ônibus e carro, em baldeações, para a Cidade do México. Da capital mexicana, os suspeitos vieram de avião para o Rio de Janeiro. 

Para conseguir colocar o plano em prática, eles extorquiram familiares da entregadora e também os próprios familiares. Foi nessa brecha que passaram a ser monitorados com mais facilidade pela polícia. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, se manifestou quando soube da prisão.

A motivação do crime ainda é desconhecida. Braga tentava se legalizar nos Estados Unidos, onde ela, uma irmã e outros amigos ganham a vida fazendo bicos. Um colega dela, que pediu para não ser identificado e vive próximo ao apartamento onde a vítima vivia, contou ao Hoje em Dia que a mãe dela foi a primeira a suspeitar que algo tinha acontecido com a filha.

"Um dia antes (29 de janeiro), a família dela não conseguiu contato com ela e procurou a gente aqui, querendo saber se tínhamos informações. Mas, a gente também não conseguia falar com ela. A irmã dela, que mora aqui também, mobilizou todo mundo, porque a Ana sempre entrava em contato, ligava sempre, comunicava", contou o amigo.

Maquiadora profissional, Braga se mudou para os EUA há cerca de quatro anos com o esposo e um filho. Eles viviam no Estado de Massachusetts, mas se separaram e a jovem foi para a Califórnia. O menino ficou com o pai, até que ela conseguisse um emprego fixo.

"Aqui, ela trabalhava fazendo de tudo, cozinhava, faxina, entregadora, bicos em boates e bares. Esse é o tipo de serviço que a gente faz aqui, mas é o necessário para sobreviver", disse o amigo.

Um dos suspeitos de matar a entregadora conheceu ela quando a vítima ainda vivia em Massachusetts. Segundo o amigo de Braga, o suspeito pediu ajuda para passar uns dias na Califórnia, em dezembro, e perguntou a mulher se ela deixaria ele e o outro suspeito passarem uns dias na casa dela.

"Isso foi no final de dezembro e, desde então, eles ficaram aqui. Em janeiro, ela passou a reclamar que achava ele muito grosso com ela. Mas, nunca relatou nada acima disso, como agressões ou ameaças. Ele não parecia uma pessoa suspeita", opinou.

O drama da família agora é para conseguir localizar o corpo de trazê-lo de volta ao Brasil. No Facebook, a mãe da entregadora pediu que tivesse o direito de conseguir enterrar a filha. Familiares de Braga dizem não ter como fazer o processo sem ajuda do governo.

O Ministério das Relações Exteriores diz que acompanha as investigações junto ao Departamento de Polícia dos Estados Unidos, mas não informou sobre traslado do corpo.

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