"A barragem de Congonhas está para ceder daqui a duas horas", diz o início de um áudio que circulou nos arredores da cidade da região Central de Minas Gerais, nesse domingo (17). A mídia foi veiculada pelo WhatsApp e levou terror aos moradores dos bairros que seriam atingidos por um eventual rompimento da estrutura da barragem de Casa de Pedra, que tem casas a cerca de 200 metros de distância.

Segundo o vereador de Congonhas Lucas Bob (PCdoB), o áudio foi responsável por um grande alvoroço na região, inclusive levando moradores a deixarem suas casas. "Alguns moradores entraram em desespero, saíram de suas casas. As pessoas já vivem nesse estado de alerta, de medo, e recebem um áudio terrorista, maldoso, irresponsável como este, é um absurdo que se brinque com uma situação tão séria".

A prefeitura da cidade, por sua vez, afirmou que vai estudar ações para investigar a autoria do áudio. "Estamos em reunião com a Polícia Civil e vamos definir como tratar esse tipo de situação. É uma fake news de aspecto criminal, que além de gerar pânico generalizado, tem um potencial até mesmo de causar um infarto em alguém", afirmou o secretário de Meio Ambiente de Congonhas, Neilor Aarão.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que opera a barragem de Casa de Pedra, foi procurada e afirmou que não vai se posicionar por ora.

Medidas preventivas

Segundo o secretário de Meio Ambiente da cidade, está com as mineradoras que atuam na cidade uma política ambiental de gestão de barragens, que pretende levar mais segurança aos moradores das áreas de risco. "O projeto prevê que as empresas custeiem a implantação de um sistema de alertas baseado em mensagens SMS e aplicativo de celular. Com esse tipo de ação, a população poderá ser avisada em tempo real de eventuais riscos ou mesmo de mensagens maldosas como a que circulou no domingo", detalhou.

O plano foi apresentado e está em negociação desde outubro de 2018, segundo contou Aarão, e as quatro empresas que exploram recursos na cidade têm até março para entregarem um plano de trabalho para executar as ações.

Lucas Bob, por sua vez, reitera a importância de ações para a garantia da segurança da população. "Essa é uma realidade com a qual convivemos há muito tempo na cidade, as pessoas têm esse medo, não conseguem dormir, então é importante que tenhamos responsabilidade também ao tratar do assunto, falar sobre ele, para não falar de partes técnicas, por exemplo, das quais não temos conhecimento". Nas palavras de Bob, "a Câmara e a prefeitura já estão se movimentando para garantir a segurança dos moradores e entramos com uma ação no Ministério Público de Minas Gerais pedindo que a situação em Casa de Pedra seja acompanhada de perto. Nosso esforço também acontece no sentido de exigir que a empresa desative a barragem, pare de jogar rejeitos e passe a tratá-los a seco".

A CSN também foi questionada sobre a ação e novamente afirmou que não vai se posicionar por ora. No entanto, a reportagem teve acesso à resposta da empresa ao MPMG, e nela a empresa afirma que está em fase final de montagem um sistema de filtragem de rejeito na barragem. No documento, a CSN garante que o rejeito da mina de Casa de Pedra será totalmente empilhado a seco até o fim de 2019, o que vai extinguir a necessidade do uso da barragem de contenção.