A presença de carrapatos transmissores da febre maculosa em áreas verdes na orla da Lagoa da Pampulha e na Cidade Administrativa coloca Belo Horizonte em estado de alerta contra a doença. Em Contagem, na Grande BH, a bactéria já infectou seis pessoas e matou quatro. O município vizinho ainda tem 78 casos em investigação.

Para especialistas, a confirmação do agente contaminado dentro dos limites da capital é preocupante e reforça a necessidade de evitar os locais onde os carrapatos se concentram. 

A infectologista Silvia Hees garante que pessoas picadas têm grandes chances de contrair a doença. “Outro agravante é que o tratamento é bastante específico e não pode ser feito com qualquer antibiótico”, ressalta a médica. 

Para Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, a recomendação também é evitar áreas onde os carrapatos já foram detectados. 

“Quanto mais tempo a pessoa ficar em um local onde há carrapatos contaminados, maior é a chance de sofrer uma picada. E a probabilidade de contaminação pela doença também aumenta dependendo de quanto tempo o carrapato fica na pele”, explica. 

A orientação do médico é para que as pessoas, após passarem por esses locais, façam uma autovarredura em todo o corpo para se certificar de que não há carrapatos. 

Surpresa

Na orla da Lagoa da Pampulha, a situação causou surpresa. “Se continuarem os alertas, o pessoal vai se afastar daqui, porque a febre maculosa é bem perigosa”, disse o vidraceiro Reinaldo Santos Nascimento, de 36 anos.

Na Cidade Administrativa, um auxiliar de serviços gerais, que pediu para não ser identificado, garantiu que a presença de carrapatos é antiga, mas a confirmação da existência da bactéria causa surpresa. “É novidade pra gente. Tomara que ninguém fique doente aqui. Febre maculosa é um perigo”, disse.

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Placas trazem alerta às pessoas na Cidade Administrativa

Apesar do temor, o subsecretário de Saúde de BH, Fabiano Pimenta, tranquiliza a população e afirma que as capivaras da Pampulha continuam sendo monitoradas. Não há previsão de isolamento das áreas. 

“Não há necessidade de se ter outro tipo de medida porque todas as ações já têm sido feitas. O que acontece é que na época de maior proliferação do carrapato (de junho a novembro), as ações são intensificadas, como capinas sistemáticas em diversas regiões da cidade e orientação à população”, esclarece.

Sobre a presença da bactéria na Cidade Administrativa, a assessoria da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) informou que o local está realmente sujeito à aparição de carrapatos e capivaras. “Por isso, existem placas no gramado, informando sobre a potencial presença”.

O órgão ainda destacou que “faz o acompanhamento junto aos órgãos competentes e realiza dedetização das áreas internas e externas dos prédios periodicamente”.

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