Nada menos que 2.852 motoristas foram multados por dia por excesso de velocidade nas estradas federais e estaduais de Minas em 2018. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DEER) mostram que, ao todo, mais de 1 milhão de condutores foram flagrados pelos radares.

O número, entretanto, é maior, já que, no caso das rodovias sob responsabilidade da União, estão apenas as multas dos controladores móveis, manuseados pelos policiais rodoviários. Os dados de equipamentos fixos estão sob a tutela do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que não informou a quantidade de autuações registradas.

Apesar dos flagrantes constantes de imprudência, a instalação de 8 mil novos radares nas estradas de todo país foi suspensa por ordem do presidente Jair Bolsonaro na última semana. A alegação foi a existência de uma “indústria da multa”, cuja finalidade seria “meter a mão no bolso” dos condutores. 

As pesquisas a respeito do mecanismo, porém, comprovam que a utilização dos aparelhos reduz significativamente o índice de mortes nas rodovias. Um estudo americano realizado em 2015 pelo Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) no Condado de Montgomery, a 40 quilômetros de Washington, apontou que 21 mil acidentes fatais poderiam ser evitados se o monitoramento com câmeras fosse implantado em todo o território dos Estados Unidos. 

Contrassenso

Segundo especialistas, a efetividade dos equipamentos na redução de sinistros é “inquestionável”. Para o engenheiro e consultor em transportes Osias Baptista Neto, o que pode ser colocado em questão é a velocidade máxima definida para cada trecho, mas nunca a necessidade de monitoramento. 

“Se não tivermos radares, a decisão sobre a velocidade máxima segura fica nas mãos dos motoristas. Isso é um contrassenso”, avalia. “Até porque, no mundo inteiro, há cada vez mais investimento no controle através dos equipamentos eletrônicos”, diz o especialista.

Preocupante

Para o mestre em engenharia de transporte e trânsito Fernando de Oliveira, professor do Departamento de Engenharia das Faculdades Kennedy, o cenário é “preocupante”. “A redução de acidentes passa por manutenção das estradas, pela postura dos motoristas e, sobretudo, pelo uso de aparelhos para controlar a velocidade acima do permitido”, analisa.

Segundo o inspetor Aristides Júnior, da PRF, os registros de multas por excesso de velocidade são mais comuns nos feriados prolongados, quando aumenta o volume de veículos nas estradas. “A imprudência é a principal causa para que esses motoristas sejam flagrados”. 

Júnior ainda afirma que, atualmente, a corporação conta com 22 radares móveis para uso nas rodovias federais que cortam Minas. Os equipamentos são usados diariamente. 
A assessoria de imprensa da Presidência da República foi procurada pela reportagem, mas não se posicionou até o fechamento desta edição.