Uma força-tarefa encabeçada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) desmembrou uma organização criminosa que furtava cerca de 40 mil litros de combustível por semana da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Grande BH, para revender em postos de gasolina do Sul de Minas Gerais. Foram presas onze pessoas na operação, dentre elas dois empresários responsáveis por duas redes de postos de combustíveis, e um administrador de uma empresa do setor de transportes. 

A operação foi liderada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e contou com o apoio das Polícias Militar de Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Onze criminosos foram presos em Minas, nas cidades de Mário Campos, Contagem e São Lourenço. O chefe da quadrilha foi detido em Salvador, na Bahia, enquanto outros dois homens que participavam do esquema foram presos em Paulínia e Cosmópolis, em São Paulo. 

De acordo com o MPMG, o chefe da organização, preso na Bahia, é um empresário bem sucedido no setor de transportes. Com o homem, que teve a identidade preservada, foram apreendidos uma aeronave no valor de R$1 milhão, veículos de luxo, R$83 mil em cheques e R$200 mil em espécie. 
Para furtar o combustível da Regap, os criminosos fizeram uma trepanação, processo em que válvulas são instaladas diretamente nos dutos subterrâneos da Petrobras que passam pelo município de Mário Campos.

"O combustível era subtraído em uma chácara na região de Mário Campos e levado a um galpão no bairro Citrolândia, em Betim, onde era armazenado até atingir a capacidade de 40 mil litros, geralmente por semana, então o caminhão da rede de postos vinha buscar esse combustível e fazer a divisão entre os cinco postos em São Lourenço, Elói Mendes  e Pouso Alegre", detalhou o promotor de Justiça do Gaeco, Luiz Cheib. 

"No local em que havia a trepanação, havia um galinheiro para disfarçar o cheiro, e no caminhão em que eles transportavam, colocavam feno para disfarçar o cheiro também”, explicou Cheib. O furto de gasolina para distribuição irregular ocorria desde março deste ano, conforme o MPMG. Por mês, a estimativa é de que 160 mil litros de insumos eram furtados por mês.

Nesse período, segundo as investigações, a quadrilha sonegou cerca de R$1 milhão em impostos, enquanto a Petrobrás deixou de arrecadar mais de R$3 milhões. A qualidade do combustível furtado que estava sendo vendido no Sul de Minas será investigada pelo Procon-MG e pela Receita Estadual. Três armas foram apreendidas durante a operação do MPMG.

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