O movimento de candidatos para o segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi novamente abaixo do esperado em Belo Horizonte. Na PucMinas, um dos locais de maior concentração de candidatos na capital mineira, a concentração de candidatos que foram prestar o segundo dia das provas começou a se intensificar no fim da manhã deste domingo (24). Os portões abriram pontualmente às 12 horas.

Neste domingo, os candidatos vão responder a questões de Ciências da Natureza e suas tecnologias e Matemática e suas tecnologias. O segundo dia de provas ocorre após uma abstenção recorde no primeiro dia, do domingo passado (17). Do lado de fora da PucMinas, no bairro Coração Eucarístico – região Noroeste de Belo Horizonte  os candidatos procuravam conter a ansiedade antes de encarar o segundo dia de provas. 

Fazendo o Enem pela quinta vez, Carlos Eduardo Torres, de 23 anos, chegou cedo para tentar se concentrar antes da prova e conseguir alcançar a pontuação necessária para ingressar no curso de Ciências da Computação da UFMG. Para o candidato, manter a tranquilidade é a chave para conseguir alcançar o objetivo. “Este ano preferi chegar mais cedo, ficar bem tranquilo para conseguir fazer bem as provas. Hoje é o dia das matérias em que tenho mais facilidade, então é o dia de acumular muitos pontos”, destaca o estudante.

Mas a preocupação dos candidatos não está somente nos conteúdos das provas. A pandemia da Covid-19 e os protocolos sanitários aplicados no Enem também mexem com a cabeça de quem está se submetendo ao exame. As irmãs Gabriela e Jéssica Neves, de 20 e 18 anos, reforçaram os cuidados para fazer as provas neste domingo. Trouxeram álcool em gel e máscaras descartáveis sobressalentes para evitar a contaminação. 

Mesmo assim, esperam que neste domingo o panorama seja diferente da semana passada, quando as irmãs ficaram insatisfeitas com os protocolos de segurança adotados na aplicação do exame. “Na minha sala não foi aferida temperatura, não existia álcool em gel para os candidatos e não foi respeitado o distanciamento social. Infelizmente, a preocupacação da gente não ficou somente na prova, mas sim, no risco de se contaminar”, enfatizou Jéssica Neves, que vai tentar uma vaga para o curso de Arquitetura.

Apesar das reclamações dos alunos, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) reforçou em nota divulgada nesse sábado que as diretrizes de prevenção contra a Covid-19 devem ser seguidas. O órgão destacou ainda que ofertará álcool em gel nas salas e que os alunos serão obrigados a usar proteção fácil durante a prova. 

“As máscaras serão verificadas pelos fiscais para evitar infrações. O participante que não utilizar a máscara cobrindo totalmente o nariz e a boca, desde a entrada até a saída do local de provas, ou recusar-se, injustificadamente, a respeitar os protocolos de prevenção contra o coronavírus, a qualquer momento, será eliminado do exame”, informou o Inep em nota neste sábado, 23.

Abaixo do esperado

Assim como no domingo passado, o movimento de alunos para realizar o Enem foi abaixo do esperado e decepcionou quem esperava aproveitar o exame para faturar uma grana extra. A vendedora ambulante Rosângela Aparecida Ferreira, de 57 anos, saiu do Betânia – na região Oeste – com um isopor cheio de chup-chup para oferecer aos candidatos. 

Com o movimento fraco, a ambulante lamentou o pouco movimento e o prejuízo nas vendas e acredita que o medo das pessoas em relação a pandemia seja o motivo principal para o fracasso nas vendas. “As pessoas infelizmente tem medo de consumir as coisas na rua por conta da pandemia. E além disso, o número de pessoas está muito abaixo. Infelizmente, ao invés de faturar um dinheiro a mais, acho que vou ter prejuízo”, lamenta Rosângela. 

Os portões dos locais de prova do Enem fechariam pontualmente às 13 horas.