Médicos ginecologistas da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) se reúnem na manhã desta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, e iniciam, na Rodoviária de Belo Horizonte, uma campanha voltada para conscientizar mulheres sobre a importância de conhecer o próprio corpo e consultar regularmente um médico especialista.

Batizada de  “Menos Pudor, Mais Poder”, o movimento quer chamar a atenção para os tabus que prejudicam a saúde das mulheres no Brasil. Os ginecologistas presentes na rodoviária conversam com mulheres que passam pelo terminal e promovem rodas de debate sobre temas relacionados à realidade feminina, como métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis, gravidez e menopausa. Os médicos ficam na estação e promovem as atividades até 15h desta sexta.

De acordo com a Sogimig, a campanha deve continuar durante todo o mês de março e vai oferecer palestras, promover rodas de conversas gratuitas e abertas à população e lançar o Guia Saúde da Mulher, destacando datas de vacinas e exames importantes, promovendo a saúde e a prevenção de doenças que afetam o público feminino.

Realidade difícil

A campanha foi criada, entre outros motivos, após a divulgação de um dado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com o Datafolha, que revelou que mais de 26 milhões de brasileiras estão com sua saúde ginecológica desassistida - 11% delas não vão ao médico por vergonha. De acordo com o levantamento, 4 milhões de mulheres acima dos 16 anos nunca foram ao ginecologista e 16,2 milhões não vão ao médico há mais de um ano. 

Para o presidente da Sogimig, Dr, Carlos Henrique Mascarenhas Silva, os dados servem de alerta. “Esses resultados são preocupantes, pois essa parcela da população que está desassistida corre o risco de ter um problema sem ao menos imaginar. É preciso divulgar a importância do ginecologista na vida das mulheres, que deveriam procurar atendimento desde a primeira menstruação”, destaca.

Ainda de acordo com o presidente da associação, muitas vezes falar sobre o órgão sexual feminino é algo encarado como uma ofensa, o que de maneira alguma pode acontecer quando a intenção é passar informações sobre a saúde feminina e os cuidados ginecológicos. “Informar a mulher sobre como cuidar da sua saúde, entender como seu corpo funciona e incentivar visitas regulares ao ginecologista não deve nunca ser considerado um insulto. Entendendo nosso papel de promoção contínua da saúde da mulher, decidimos lançar essa campanha para passarmos mensagens de conscientização para o maior número de mulheres possível”, ressalta.

Campanha aberta

Além das ações presenciais, o movimento também lançou um site onde quem quiser ajudar na divulgação e utilizar as peças criadas para a campanha pode entrar e fazer o download do material. O presidente afirmou que a plataforma foi desenvolvida com o intuito de estimular o público, incluindo profissionais da saúde, a propagarem as informações trazidas pelo movimento. "Nossa intenção é que eles se apropriem dos conteúdos, frases e demais elementos da campanha. O público se torna parte da construção do movimento”, afirma. 

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